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Eu Já Estive Em “Monja Coen – A mulher nos jardins de Buda”, de Neusa C. Steiner

Encontrar o equilíbrio! Essa foi a mensagem que guardei ao ler “Monja Coen – A mulher nos jardins de Buda”, romance biográfico escrito por Neusa C. Steiner e publicado pela Mescla Editorial/Grupo Editorial Summus. Resumidamente, a autora conversou com Monja Coen algumas vezes durante quase um ano e essas vivências a inspiraram a escrever a história de Clara e depois, de Silvia, mãe e filha, sucessivamente.

O livro se passa boa parte em São Paulo, na capital paulista. Primeiro vamos conhecer Clara, sua vida, seu casamento e, desse relacionamento nasce Silvia. Quando Silvia chega à adolescência, ganha os holofotes da obra, pois é justamente toda inquietude da jovem que traz tantas reviravoltas à trama. É justamente a busca incansável de Silvia em buscar algo que preencha o seu vazio interior que a leva para o budismo e aí o livro chega a sua terceira parte, onde o foco passa a ser todo o aprendizado de Silvia neste novo mundo que transformou sua vida.

O que gostei muito no livro é que mesmo destacando pontos benéficos da prática budista, a autora não deixou de mostrar que há preconceito, principalmente quando estamos falamos de uma mulher na década de 70 (ok, já temos avanços nesse ponto, mas ainda há muito a ser conquistado). Mas, o preconceito ainda é mais ferrenho quando se trata de uma mulher brasileira no Japão, que não sabe falar japonês. E, mais ainda, quando se trata de uma mulher, brasileira, no Japão, que não sabe falar japonês e que se apaixona por alguém mais jovem.

Repleto de ensinamento e trechos que fazem você refletir, “Monja Coen – A mulher nos jardins do Buda”, é dividido em sete capítulos: apresentação, introdução, prólogo, Clara, Silvia, Monja e epílogo. A autora convida os leitores a apreciarem a leitura do livro com ternura, “pois cada instante de nossas vidas é tênue e passageiro. Capaz de tantas interpretações, quantas mentes humanas houver”.

Vamos a alguns trechos do livro:

“Se eu fosse morrer, o que gostaria de fazer”?

“A ilusão da imortalidade é o motor da mortalidade”.

“A distância é a guardiã dos mistérios”.

“Mulheres traídas aprofundam-se em seu mais puro mistério, são capazes de virar água ou pedra, são capazes de fases mais diversas que a lua”.

“Sendo mulher de extremos, fazia suscitar a dúvida se corria na frente dos demais por vontade de chegar ou por medo de ficar”.

“Às vezes parece que a solidão dos homens é feita de carência e das mulheres, de ausência”.

“Sonhos desprezados geralmente reconhecem um novo sonhador e, sem cerimônias, envolvem-no numa repentina inquietação”.

“O que faz certos seres partirem tão cedo em busca da própria vida e outros passarem uma vida inteira com medo de si mesmos”?

“O único milagre, o milagre impossível, é ser apenas comum”.

Sinopse: neste livro, história e ficção se misturam para contar a trajetória da Monja Coen, primaz fundadora da comunidade Zen Budista do Brasil. Como muitos jovens da geração baby boom os nascidos no pós-guerra, buscou independência e liberdade, viveu seu tempo, carregou sonhos e utopias e fez sua escolha. Esta história interessa a todos que carregam um quê de inconformismo e uma vontade de soltar as amarras.

Sobre a autora: é paulistana, formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com especialização em Psiquiatria e Psicologia Analítica. Com o trabalho “Um poder infernal: a poesia de Adélia Prado”, defendeu seu mestrado pelo programa de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Participa do grupo de pesquisa Gênero, Religião e Política (Grepo). Trabalha na capital paulista atendendo em consultório, ministra palestras e dirige grupos terapêuticos focados nas relações sociais entre os sexos, com base em uma abordagem junguiana e na utilização de elementos de literatura, música e escrita. Autora do livro “Monja Coen – A mulher nos jardins de Buda” (Mescla, 2009).

Monja Coen – A mulher nos jardins de Buda”, de Neusa C. Steiner, publicado por Mescla Editorial / Grupo Editorial Summus, tem 264 páginas e está à venda nas plataformas de e-commerce e no site da editora. Seguidores do Eu Já Estive Em tem 10% de desconto usando o cupom EUJAESTIVEEM10, válido até 30/06/2023. E você, já subiu o Monte Fuji da sua vida?

Janaína Leme

@eujaestiveem

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