Eu Já Estive Em “O Caçador Chegou Tarde”, de Luís Henrique Pellanda

Hoje vamos falar sobre os contos de Luís Henrique Pellanda que lemos em “O Caçador Chegou Tarde”, publicado pela Maralto Edições. O título do livro, inclusive, é um dos mais de 60 contos que compõem a obra. É bem difícil resenhar contos, mas fazendo uma breve descrição de alguns contos, vamos tentar comentar sobre alguns.
Fui conhecer a expressão “Facínora”, nome de um dos contos que se diz de um indivíduo que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada. Aqui o autor traz a luta entre galos – “a lutar uns contra os outros, os galos preferiam ser devorados. E a essa bárbara estratégia se chamou revolução.” Em “Meio Quadrúpede”, traz a discussão – qual a importância de ser a parte de trás de um quadrúpede de circo? Em “A Forquilha”, temos como personagens Justo e Clemente e a questão é: Deus é mais justo do que clemente ou mais clemente do que justo?
Aqui, com essas breves apresentações, a ideia já é mostrar que são contos que o leitor interpreta como desejar, com finais abertos, inclusive alguns, li mais de uma vez para chegar a uma conclusão, mas não necessariamente ela existe, acho que foi mais minha intenção ter uma interpretação para cada um.
Fiquei indignada quanto uma “Porca Vermelha” pode desgraçar uma família, adorei o “Cardápio” e todas as iguarias criadas pelo autor, além de ser o mais assustador dos contos em minha opinião. Vi “O Carteado”, que fala sobre um avô que vai atrás da onça que matou seu cavalo por vingança como um dos contos mais politizados. “O depoimento do ornitólogo” e as palavras intercalando os olhos humanos com os olhos dos pássaros te encarando também foi bem assustador. Algumas vezes senti um ar kafkiano, misturando bichos e humanos. “Os Príncipes”, transformando cada casa com sua bandeira na varanda em um reino distinto, foi incrível, e “Os Ventos” para mim, foi um dos mais tocantes.
Outra análise by Jana é que muitos contos citam sono, sonhos, falta de sono, sonambulismo e acho que parte das ideias do autor surgiram dormindo ou com a falta de sono dele. E, fecho citando “Rosas de Glacê”, conto que para mim foi bem pesado, que traz a história da avó centenária que não aceitava o casamento do neto com uma negra.
“Enquanto macaco, nunca foi violento ou mentiroso. Enquanto homem, deixou muito a desejar.”
O Filho do Bugio
Sinopse: Primeiro parágrafo de A prata e os peixes – “Meu avô poeta me ensinou muita coisa. Ele me levava para pescar no rio poluído atrás de sua casa e falava, falava, falava. Falava tanto que quase nunca pescava nada. Um dia fisgou um lambari e ficou tão alegre que, ao puxá-lo para fora e vê-lo voando na ponta da linha, encantou-se com o reflexo do sol em suas escamas. Depois olhou para mim e disse: A Felicidade é isso, um animal de prata riscando a tarde de outono. Eu, que não era poeta, concordei, encabulado. Mas, na verdade só conseguia pensar. Coitado do peixe”.
Sobre o autor: Luís Henrique Pellanda é escritor e jornalista, nascido em Curitiba (PR), em 1973. Como cronista e contista, publicou os livros “O macaco ornamental” (2009), “Nós passaremos em branco” (2011), “Asa de sereia” (2013), “Detetive à deriva” (2016), “A fada sem cabeça” (2018), “Calma, estamos perdidos” (2019) e “Na barriga do lobo” (2021).
“O Caçador Chegou Tarde”, de Luís Henrique Pellanda, tem 168 páginas, e foi publicado pela Maralto Edições. Aliás, o livro é muito bem editado e diagramado, com uma delicadeza sem tamanho. Está à venda nas livrarias de todo o Brasil e também nas plataformas de e-commerce.