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O que é o amor? Novo livro da Tinta-da-China Brasil investiga a dupla natureza de eros a partir de Platão

Em tempos de relacionamentos líquidos e amor digital, o filósofo português João Constâncio resgata uma das questões mais fundamentais da existência humana: o que é o amor? Em Três discursos sobre eros: meditação sobre o Fedro de Platão, lançamento da Tinta-da-China Brasil, o autor oferece uma investigação filosófica e literária sobre a natureza contraditória do amor que atravessa milênios e segue atual. A obra integra a coleção Ensaio Aberto, que une filosofia e literatura. 

Três discursos sobre eros parte do diálogo Fedro, de Platão, para investigar como a paixão amorosa pode ser, simultaneamente, uma forma de loucura e uma experiência do divino em busca da verdade. 

Para desenvolver essa investigação, Constâncio se vale da poesia, da literatura e da filosofia, desde a Antiguidade até os dias contemporâneos. Assim, o autor conecta as imagens poéticas de Platão aos versos de Safo e às Confissões de Santo Agostinho, e demonstra como pensadores e escritores vieram interpretando eros ao longo dos séculos, como Hegel, Nietzsche, Heidegger, Marcel Proust no Em busca do tempo perdido, Thomas Mann em A morte em Veneza e Anne Carson em Eros: o doce-amargo

O resultado é uma obra híbrida que une rigor filosófico e fluidez literária, explorando temas universais como ciúme, temporalidade do amor, ilusão e autocontrole — questões ainda centrais na experiência humana contemporânea.

“O leitor tem em mãos um precioso tesouro, que pode frequentar com deleite, cuja leitura é capaz de produzir arrebatamento, isto é, aquela loucura ou mania extática, que é condição tanto da filosofia como da poesia, e que pode nos conduzir para o que verdadeiramente somos”, afirma Oswaldo Giacoia Junior, que assina a orelha do livro. 

Sobre o autor

João Constâncio é professor catedrático do Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH), onde se doutorou, em 2005, com uma dissertação sobre imagens e concepções da vida humana em Platão, e onde exerce os cargos de diretor do Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA) e coordenador do Doutoramento em Filosofia. É autor do livro Arte e niilismo: Nietzsche e o enigma do mundo(Tinta-da-china, 2013), bem como coorganizador de cinco livros sobre Nietzsche — incluindo, com Maria João Mayer Branco e Bartholomew Ryan, Nietzsche and the Problem of Subjectivity (Walter de Gruyter, 2015). Tem escrito e lecionado igualmente sobre questões fundamentais da estética, da antropologia filosófica e da filosofia da história nas obras de Platão, Kant, Hegel, Schopenhauer e Heidegger. Os seus projetos mais recentes incluem a publicação de um opúsculo sobre As tentações de Sant’Antão, de Hieronymus Bosch (Sobre o absurdo, Documenta, 2024); a tradução e comentário — com uma introdução escrita em colaboração com Luisa Buarque — da peça Lisístrata, de Aristófanes (em curso de publicação); e a coorganização, com Simon May, de um volume de ensaios intitulado Who is Heidegger’s Nietzsche? (Cambridge University Press, previsto para 2026).

Ficha técnicaTítuloTrês discursos sobre Eros: meditação sobre o Fedro de Platão
Autor: João Constâncio
Editora: Tinta-da-China Brasil
Coleção: Ensaio Aberto
Coordenadores da coleção Ensaio Aberto: Tatiana Salem Levy e Pedro Duarte
Páginas: 288 pp. 
ISBN: 978-65-84835-42-9
Preço: R$ 79,90
Formato: brochura, 13 x 18,5 cm
Lançamento: 6 de setembro de 2025

Coleção Ensaio Aberto

Três discursos sobre Eros é o quinto título da coleção Ensaio Aberto. Coordenada por Tatiana Salem Levy e Pedro Duarte, a coleção é resultado de uma parceria originada no âmbito do Programa de Internacionalização da Capes (Capes‑PrInt) entre a Universidade NOVA de Lisboa e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Os livros são publicados pela Tinta-da-china, em Lisboa, e pela Tinta-da-China Brasil, em São Paulo, com apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT – Portugal).

“Na tradição ocidental, deu‑se por certa a separação entre Filosofia e Literatura, tendo‑se como consequência um entendimento histórico que cindia, de um lado, a mente, a reflexão ou a razão, e, de outro lado, o corpo, a criação ou a emoção. Perdia‑se, assim, a possibilidade de um conhecimento que, em vez de separar, aproximasse Filosofia e Literatura, perguntando‑se: mas escritores não filosofam, e filósofos não escrevem? Os Ensaios Abertos desta coleção surgiram da vontade de explorar como, apesar da conhecida crítica metafísica que a Filosofia dirigiu à Literatura, elas não cessaram de se aproximar”, explicam os coordenadores.

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