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‘KOKUHO – O PREÇO DA PERFEIÇÃO’ TERÁ PRÉ-ESTREIAS A PARTIR DESTA QUINTA (26/02), CELEBRANDO QUATRO SÉCULOS DE TRADIÇÃO E TRANSGRESSÃO DO TEATRO KABUKI

Candidato oficial do Japão ao Oscar de Melhor Filme Internacional e finalista na categoria de Melhor Maquiagem, Kokuho – O Preço da Perfeição chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 5 de março, distribuído por uma parceria entre a SATO Company e a Imovision. O filme ganha prés a partir desta quinta-feira (26/02) em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Caruaru, Limeira e Manaus.

Ambientado nos bastidores do teatro kabuki, o longa vem quebrando recordes: depois de se tornar a maior bilheteria de um filme japonês em live-action, acaba de entrar no Top 10 geral de produções mais assistidas da história do país — lista que reúne de animes de Hayao Miyazaki e fenômenos como Demon Slayer e sucessos estrangeiros como Titanic e Frozen. Um feito e tanto para uma obra baseada numa arte de mais de quatro séculos, mas sempre marcada pela vontade de subverter.

A HISTÓRIA DO KABUKI
O kabuki surge por volta de 1603, quando a sacerdotisa Izumo no Okuni passou a apresentar, em Kyoto, então capital do  Japão, performances que misturavam dança, teatralidade e provocação. O sucesso foi imediato — e também incômodo. As atrizes se tornaram celebridades e passaram a ser “disputadas” pelo público masculino. O xogunato Tokugawa, que comandava o país, começou a associar esse tipo de espetáculo como espaço de agitação social e, em 1629, as mulheres foram proibidas de atuar. Jovens rapazes, com aparências e vozes mais delicadas, assumiram os papéis femininos, mas acabaram vetados pelo mesmo motivo. Surgiu então a tradição de companhias exclusivamente formadas por homens adultos, o que gerou a figura do onnagata, o ator especializado em interpretar mulheres de maneira rigorosa e estilizada.

Entre 1673 e 1735, na era Genroku, o kabuki aumentou sua popularidade e chegou a sua maturidade estética: foi quando as estruturas dramáticas da peças, os tipos de personagens e as poses mie — momentos em que o ator “congela” para cristalizar sua emoção para a plateia — foram consolidadas. Nesta época ainda se convencionou usar a maquiagem “kumadori”, com traços marcados que parecem máscaras pintadas no próprio rosto. Em 1868, com o fim do xogunato, a ascensão de um novo imperador e a abertura do Japão ao Ocidente, atores e dramaturgos iniciaram um movimento para serem reconhecidos entre as elites. Em 1887, depois de assistir a uma apresentação, o imperador Meiji, elevou o status do kabuki no cenário cultural japonês. Hoje, além de ser a mais popular das artes dramáticas tradicionais do país, o estilo passou a ser considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Kokuho – O Preço da Perfeição registra como esta arte que nasceu da ruptura passa a exigir controle, rigidez e disciplina absoluta – tradição – e o que isso custa para o artista. A complexidade desse retrato tem sido bastante reconhecida: o longa lidera as indicações ao Prêmio da Academia de Cinema do Japão, o principal do país, com 17 nomeações, entre elas Filme, Direção e Roteiro. Além disso, oito integrantes do elenco estão entre os finalistas nas cinco categorias de atuação. Os brasileiros vão poder conferir o  filme a partir da próxima quinta-feira, 5 de março.

O QUE SIGNIFICA “KABUKI”?
O termo “kabuki” deriva do verbo japonês “kabuku”, que significa “inclinar-se” ou “desviar-se” — no sentido de agir de forma excêntrica, fora das convenções. No início do século XVII, os chamados “kabukimono” eram jovens, em geral ligados à classe samurai, conhecidos por trajes extravagantes, penteados incomuns e comportamento desafiador. Circulavam pelas cidades rompendo códigos sociais rígidos — e é desse espírito de desvio que o teatro herdou seu nome.

Mais tarde, a palavra passou a ser grafada com três ideogramas que enfatizam seu caráter artístico: 歌 (ka), canto; 舞 (bu), dança; e 伎 (ki), técnica ou habilidade. Consolidou-se assim a ideia de “arte do canto e da dança”, mas a origem do termo preserva algo essencial: o kabuki nasce do gesto de se inclinar para fora da norma — e de transformar essa inclinação em forma.

SINOPSE
Nagasaki, 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.

O DIRETOR
Lee Sang-il (李相日, Ri San’iru) é um cineasta japonês de origem coreana. Ganhou projeção internacional com Hula Girls (2006), vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Roteiro no Japanese Academy Awards, além de ter sido eleito o melhor filme japonês do ano pela Kinema Junpo. Seu longa Os Imperdoáveis foi exibido na seção Special Presentations do Festival de Toronto em 2013. Em 2025, Kokuho consolidou-se como um dos filmes japoneses de maior bilheteria de todos os tempos.

FICHA TÉCNICA
Direção: Lee Sang-il
Roteiro: Satoko Okudera
Produção: Shinzo Matsuhashi, Chieko Murata
Direção de Fotografia: Sofian El Fani
Direção de Arte: Yohei Taneda
Figurino: Kumiko Ogawa
Montagem: Tsuyoshi Imai
Som: Mitsugu Shiratori
Música: Marihiko Hara
Gênero: Drama
País: Japão
Ano: 2025
Duração: 174 minutos

ELENCO

Ryô Yoshizawa – Kikuo Tachibana / Hanai Toichiro
Sōya Kurokawa – Kikuo (jovem)
Ryusei Yokohama – Shunsuke Ōgaki / Hanai Han’ya
Keitatsu Koshiyama – Shunsuke (jovem)
Ken Watanabe – Hanai Hanjiro II
Mitsuki Takahata – Harue Fukuda
Shinobu Terajima – Sachiko Ōgaki
Nana Mori – Akiko
Ai Mikami – Fujikoma
Kumi Takiuchi – Ayano
Masatoshi Nagase – Gongorō Tachibana
Emma Miyazawa – Matsu Tachibana
Takahiro Miura – Takeno
Kyusaku Shimada – Umeki
Tateto Serizawa – Genkichi
Nakamura Ganjirō IV – pai de Akiko
Min Tanaka – Onogawa Mangiku

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