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Violência, magia e redenção marcam tragicomédia inspirada em lenda folclórica

D. B. Frattini celebra quatro décadas de carreira como dramaturgo e diretor teatral com o lançamento de Os filhos de Ema. A peça conquistou os palcos do Canadá e participou de festivais pelo mundo na década de 1990, mas agora chega ao Brasil por meio de edição publicada pela Caravana Grupo Editorial.

Inspirada na lenda do folclore sergipano “Os Três Coroados”, cuja história foi registrada no livro “Contos populares do Brasil”, do sociólogo Silvio Romero, a tragicomédia narra a jornada de três órfãs que vivem juntas em um casebre no sertão. Entre lamentos e desesperanças, a única que ainda acredita em um futuro melhor é Ema, enquanto Ana e Iva já lidam com os desgostos de envelhecerem pobres e sozinhas.

A situação delas muda quando o rei escuta seus pedidos e decide se casar com Ema, que o prometeu parir três filhos. Transformada em rainha, ela sofre uma traição das irmãs, que substituem seus bebês por um sapo, uma cobra e um gato. Condenada a ser enterrada viva pelo próprio marido por falhar em conceber sucessores, a mãe carrega a dor da perda das crianças e sofre a humilhação de estar presa na frente do castelo, onde todos podem vê-la.

Os trigêmeos, por outro lado, foram jogados ao mar e resgatados por uma família de pescadores. Apesar de serem alvos de fortes feitiços, os irmãos crescem protegidos pelo destino e enfrentam grandes adversidades até provarem sua linhagem e retornarem ao trono.

Vou contar-lhe uma história muito triste, Marina: Solano nunca gostou desse povo que vive em castelos. Meu filho acha que todos os monarcas não passam de um bando de vagabundos antipáticos, pensa que todos os reis são canalhas e xexeiros. A coisa podia ficar por aí, um agoureiro é obrigado a entender o amor que o povo dedica para seu xexé. Mas o problema é que Solano tomou uma birra tacanha desse rei de vocês, um ódio que não tem medida. Pegou nojo desde o dia em que o rei mandou enterrar viva a própria mulher, a rainha Ema, que está lá na entrada do palácio para ser cuspida por quem quer que passe. (Os filhos de Ema, p. 81)

Dividida em três atos, a peça une o folclore à tragédia grega para retratar questões que permanecem contemporâneas, mesmo décadas depois de sua primeira montagem. Ao atravessar temas como a loucura feminina, os impactos da misoginia, as desigualdades econômicas, a corrupção e a importância de negar o totalitarismo, Os filhos de Ema traz universalidade e atemporalidade às emoções e aos problemas vivenciados pelos personagens.

“Essa é a primeira publicação da minha dramaturgia. O escritor precisa mostrar todas as faces de sua escrita. Estou velho e não quero deixar a dramaturgia engavetada, não quero morrer, não quero que morra. Motivos? A verdade é que a razão existe dentro da teimosia. Persisto. E o motivo? O motivo maior é aquele tesouro que sustenta a humanidade: a memória”, afirma D. B. Frattini.

FICHA TÉCNICA

Título: Os filhos de Ema
Autor: D. B. Frattini
Editora: Caravana Grupo Editorial
ISBN: 978-65-5223-6296
Páginas: 110
Preço: R$ 70 (livro físico)
Onde comprarCaravana Grupo Editorial

Sobre o autor: D. B. Frattini trabalhou por décadas no teatro e agora se dedica integralmente à literatura. Nas artes cênicas foi dramaturgo, diretor teatral e ator, como também trabalhou em universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. É especialista em Fundamentos Estruturais da Composição Artística, Antropologia Teatral e Commedia Dell’Arte. Como escritor, participou da coletânea “Abraços Ausentes” (Letraria, 2020), publicou o livro de contos “Bofetada e Êxtase” (Autografia, 2022), além dos romances “Meninos Suspensos” (Patuá, 2023) e “História de H.” (Patuá, 2024). Agora publica Os Filhos de Ema (Caravana Grupo Editorial, 2026) para celebrar seus 40 anos de carreira nas artes cênicas.

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