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Histórias de uma repórter que marcou seu tempo

Quando a gente termina de ler A Parteira Pariu a Repórter, da jornalista Ana Maria Cavalcanti, fica a certeza de que a autora teve uma experiência profissional, no Brasil e na Inglaterra, das mais ricas e fascinantes. O livro, publicado pela Editora Labrador, será lançado no domingo, 29 de março, na Praça Memorial Vladimir Herzog, em São Paulo. 

Ousadia é uma característica fundamental para profissionais da reportagem. Desde o início, essa brasileira, com cidadania britânica, entendeu muito bem isso. Corajosa, ousou em cada trabalho que fez. E a recompensa veio na forma de reconhecimento: ganhou dois prêmios Vladimir Herzog, outros dois prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) pelos documentários “Cinco Anos de Aids”, que também recebeu menção honrosa no festival de Cinema e Vídeo de Cuba, e “Avenida Ipiranga”.

Seu grande mestre no jornalismo, Vladimir Herzog, com quem trabalhou na TV Cultura, acabou entrando para a História como um mártir da ditadura militar. Vlado era chefe de redação do Hora da Notícia, o telejornal diário da emissora. Um dia recebeu intimação para depor. Entrou no quartel e de lá saiu sem vida. Foi assassinado durante o interrogatório. No livro, Ana Maria conta detalhes de sua amizade com Vlado. E de como conheceu o jornalista Ingo Ostrovsky, colega de trabalho na Cultura, pai de seu filho, Fernando. Ficaram tão amigos que Herzog foi padrinho de casamento dos dois.

Morte da Princesa Diana

Novamente, Ana Maria decidiu largar tudo em São Paulo, e foi viver em Londres em 1994. Já havia morado lá. Assim que chegou, começou a trabalhar para a BBC. Só saiu da emissora dez anos depois, para retornar ao Brasil. No começo, atuou como “freelancer.” Tempos depois, foi contratada como Editora de Cultura. Entre os muitos eventos importantes que cobriu na Inglaterra, está a morte trágica da Princesa Diana, num túnel em Paris, juntamente com o namorado Dodi Al Fayed, em agosto de 1997.

Durante uma semana, a Inglaterra parou. O desaparecimento repentino da linda princesa, aos 36 anos, desencadeou uma onda de profunda tristeza no país. Homens, velhos, mulheres e crianças manifestavam abertamente seus sentimentos pelas ruas. Toneladas de buquês de flores mudaram a paisagem na frente do Palácio de Kensington, onde Diana morava. Os canais de TV passaram a ostentar uma faixa em sinal de luto. Era o único assunto no país, em transe, naqueles dias. A autora cobriu tudo. Por isso, faz no livro um relato tão completo dessa tragédia. 

Como Geraldo Vandré escapuliu

Muito antes de se lançar no jornalismo, Ana Maria, naquele tempo, uma das pouquíssimas mulheres a frequentar as aulas do curso de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, se envolveu com um homem famoso, que também faz parte da nossa História e teve enorme impacto na vida dela (são amigos até hoje).
 

Geraldo Vandré fez uma palestra na FGV e se insinuou para aquela jovem estudante de cabelos compridos – que caiu no laço. Namoraram até Vandré sair do Brasil, por medo de ser preso. Logo depois do AI 5. Ana e seu pai levaram o artista de carro até Alegrete, pertinho da fronteira com Uruguai. Vandré ganhou o mundo e só voltou quatro anos depois. 

Embora a década passada em Londres – 1994/2004 – tenha sido muito rica, foi também um período marcado por problemas, que afetaram profundamente sua vida. “Descobri que estava ficando surda – um mal de família. Hoje, sem aparelho, não ouço absolutamente nada. O que consigo ouvir é graças aos avanços da tecnologia (implante coclear)”, escreve Ana Maria, contando ainda outro momento bastante difícil durante o tempo em que morou na fascinante capital britânica: “Precisei fazer uma operação, por causa de um incômodo em meu olho esquerdo. Deu errado, porque atingiram um nervo: meu rosto paralisou, fiquei com a boca torta e um olho que não piscava. Com o tempo e o auxílio de exercícios e cirurgias, meu rosto melhorou.”

Lançamento

Mais uma vez, agora aos 81 anos, Ana Maria se deixa guiar pela ousadia e decide escrever A Parteira Pariu a Repórter, livro que pode ser resumido como um relato candente, cheio de detalhes intrigantes, do que foram os seus muitos anos na ativa como repórter de televisão e de rádio, testemunha atenta das tantas transformações que o mundo passou ao longo desse tempo.

O livro será lançado no último domingo de março, dia 29, das 11h às 15h, em um local carregado de simbolismo: a Praça Memorial Vladimir Herzog, em São Paulo. É aqui que o Instituto Vladimir Herzog realiza seus eventos, com comes e bebes, música e quem sabe a presença de Geraldo Vandré. “Farei o possível prá ir”, prometeu ele, que mora no Rio de Janeiro. 

A escolha do local tem um caráter profundamente afetivo, uma espécie de homenagem que a jornalista faz ao inesquecível mestre Vladimir Herzog, seu mentor desde o início de sua carreira. “Vlado foi um farol em minha vida’, relembra Ana. 

Serviço

Lançamento 

Data: 29 de março

Horário: das 11h às 15h

Local: Praça Memorial Vladimir Herzog

Endereço: Rua Santo Antônio, 33/139,Bela Vista, São Paulo (atrás da Câmara Municipal e na saída do Terminal Bandeira).

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