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Eu Já Estive Em “A História da Airbnb”, de Leigh Gallagher

Depois de uma semana no topo dos noticiários sobre fusões e aquisições, vamos falar um pouco sobre o livro “A história da Airbnb”, de Leigh Gallagher, publicado pela editora Buzz.

Quem acompanhou a imprensa recentemente, viu que a plataforma fez sua estreia em Wall Street, e mesmo em um momento onde o turismo não está tão em alta, as ações da Airbnb começaram a ser negociadas por um valor mais que o dobro do preço do IPO, o que avalia a empresa em mais de US$ 100 bilhões.

Diante de tantas histórias que conhecemos do que não deu certo, é sempre bem legal estar por dentro das ideais que funcionaram e foram para a frente. Mas não foi nada fácil e foram anos em busca do primeiro “maluco”disposto a investir na ideia do trio que acreditava incansavelmente no compartilhamento de quartos e numa boa conversa com o anfitrião, que no começo, deveria estar no local para recepcionar seus hóspedes.

A empresa começou com o nome AirBed & Breakfast (Cama inflável e Café da Manhã) com o slogan “viaje como humano”. A primeira ideia era hospedar pessoas que vinham para cidades que sediavam grandes eventos e seus criadores apresentaram a proposta no South By Southwest – SXSW, famoso festival de tecnologia e inovação que acontece anualmente em Austin, no Texas.

Depois de muito trabalho, busca por investimento, aos poucos a Airbnb foi ganhando adesão e seus fundadores deram o nome de “jornada de transformação pertença a qualquer lugar”, já que ao se hospedar na casa de outra pessoa, os hóspedes diziam se sentirem como se estivessem em casa, sendo eles mesmos, sentindo-se aceitos e sendo cuidados por seus anfitriões.

Se tornar Airbnb teve e tem seus percalços, já que sabemos que é impossível vivermos em um mundo repleto de pessoas boas e de boa índole. Entre os problemas retratados no livro, houve casos de racismo – onde nomes negros eram menos aceitos por anfitriões – , de depredação e até um onde a anfitriã viu que estava “dando ruim”, mas se sentiu totalmente desatendida justamente por não ter um canal de contato direto com o Airbnb, apenas atendimento online, gargalo que cada vez mais vemos nos serviços de internet não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Outro ponto que ganha grande espaço no livro foi a guerra que se instaurou contra imobiliárias, condomínios e hotéis. A ideia era totalmente disruptiva e surpreendeu muitos modelos de negócios tradicionais. Até hoje há uma briga entre o sistema imobiliário em inúmeras cidades, já que muitos prédios e condomínios não aceitam que o imóvel seja sublocado, por exemplo. 

Tem outro grande problema que assola principalmente o serviço em Nova Iorque: apartamentos residenciais não têm as mesmas precauções de segurança de hotéis, com sistema contra incêndio, e o que garante que o cliente Airbnb que alugou o apê para férias vai ter os mesmos cuidados que o proprietário? Sendo assim, alguns proprietários estão incluindo cláusulas nos contratos proibindo locatários de transformarem seus apartamentos alugados em Airbnb, instalando até câmeras de segurança e contratando investigadores particulares para garantirem que o contrato está sendo cumprindo.

O livro é composto por oito capítulos: a aposta, construindo uma empresa, nação Airbnb, o feio e o sujo, a ira do Air, hospitalidade renovada, aprendendo a liderar e  “o próximo passo?”. Mesmo depois de anos no mercado e discussões sobre o modelo de negócios, chega-se a conclusão de que o que funciona na plataforma é o conceito de lar, ser o anfitrião de alguém e segue-se criando em cima disso.

Chesky, Blecharczyk e Gebbia são incomuns por estarem juntos no negócio até hoje. E Chesky é obsessivo em compartilhar as lições que aprende. Me identifiquei aí :). Gebbia também teve que aprender a driblar o seu perfeccionismo ao longo da jornada e entender que 80% é igual a feito, mais um ponto onde me identifiquei também.

O livro termina sinalizando que o próximo passo, a nova coisa para se  vender, é o resto da viagem, o que vimos entrar no site como experiencias, além de outras novidades que estão por vir.

Vamos a alguns trechos do livro:

  • Uma tática que Chesky aconselha a outros empreendedores: se você lançar e ninguém notar, pode continuar lançando. Fique lançando e as pessoas continuarão escrevendo sobre isso. E continuaram lançando até terem clientes.
  • O Sucesso ou o Fracasso estava na habilidade de conseguir cobertura de mídia. Pensando criativamente, se apresentaram aos menores blogs, que estariam mais propensos a prestar atenção neles. As histórias em blogs menores foram replicadas por blogs maiores, chegando aos jornais locais e depois aos canais de TV.
  • Pare de tomar decisões por consenso. Uma decisão consensual num momento de crise geralmente vai ser um meio termo e talvez a pior decisão. Geralmente numa crise você tem que ir para a direita ou para a esquerda.
  • O TechCrunch batizou o fenômeno Airbnb de “o nascimento do nômade hipster”.
  • O ecossistema baseado em recompensa funciona: hoje em dia a plataforma da Airbnb é povoada de superanfitriões e premiar com status é a ferramenta mais poderosa para aperfeiçoar o serviço.
  • O que aprendemos é não esperar por um problema.
  • O homem ajuizado se adapta ao ambiente. O homem sem juízo adapta o ambiente a ele. Portanto todo progresso depende do homem sem juízo.
  • Seria uma tolice completa e irresponsável lutar contra qualquer novo conceito, quanto mais lutar contra a economia compartilhada.
  • Os jovens nativos da Airbnb são nativos digitais, para muitos ficar num hotel de uma cadeia é tão estranho quanto falar em um telefone fixo.
  • O sucesso não consiste em nunca cometer erro, mas nunca cometer o mesmo erro duas vezes.
  • Primeiro eles te ignoram, depois te ridicularizam, então lutam contra você – daí você ganha.
  • Não há curva de aprendizado para quem está na guerra ou numa startup.
  • Pessimistas normalmente estão certos, mas são os otimistas que mudam o mundo.
  • A Airbnb tem a cultura mais colaborativa em que eu já trabalhei. O lado negativo que vem com isso é menos eficiência.
  • No final das contas você escolhe quem você escuta e que tipo de coragem vai ter. E depende de nós construirmos o tipo de empresa que queremos.

A escritora, Leigh Gallagher, é editora assistente da Fortune e anfitriã da Fortune Live. Também é co-presidente da Cúpula das mais poderosas mulheres da Fortune e supervisiona a franquia editorial “Fortune 40 Under 40”. Também participa regularmente dos programas CBS This Morning, Marketplace, CNBC e muitos outros.

“A história da Airbnb”, de Leigh Gallagher, foi publicado pela editora Buzz. Tem 262 páginas e está a venda nas livrarias e e-commerce de todo o Brasil.

“Nosso produto é a vida real”, frase do CEO – Brian Chesky.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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