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Tom Zé, o último tropicalista, primeira biografia oficial do artista, é publicada pelas Edições Sesc São Paulo

Tom Zé sempre foi um artista à frente de seu tempo. Por vezes, dependeu primeiramente de um olhar estrangeiro para a compreensão e apreciação de sua obra no Brasil. Radicado em São Paulo desde os anos 1960, quando acompanhou Caetano Veloso e fez parte do espetáculo Arena Canta Bahia, de Augusto Boal, Tom estava presente na gênese do movimento tropicalista e teve um início de carreira bem-sucedido com o LP Grande liquidação.

Durante os anos 1970, Tom caía no ostracismo conforme seus álbuns se tornavam cada vez mais ambiciosos. Foi em meados dos anos 1980 que se deu a primeira intervenção estrangeira em sua trajetória: David Byrne, ex-líder dos Talking Heads, descobriu por acaso o álbum Estudando o samba em uma de suas vindas ao Brasil e, durante os anos 1990 e 2000, se tornou uma peça fundamental na construção da carreira internacional do artista brasileiro.
               
Tom Zé, o último tropicalista é fruto de mais um olhar estrangeiro sobre sua obra. O crítico italiano, e entusiasta da MPB, Pietro Scaramuzzo foi o primeiro a escrever uma biografia oficial do cantor. Nada mais tropicalista então do que uma versão brasileira – com texto exclusivo de Tom Zé, depoimentos de Rita Lee, Arnaldo Antunes e Emicida na quarta capa e novos projeto gráfico, capa e cadernos de fotos – da biografia italiana do artista baiano.

Pietro percorre as trajetórias de vida e obra de Tom Zé, desde seu nascimento em Irará, em 1936, analisando todos os seus álbuns até o lançamento de Sem você não A, de 2017. Além de cronologia, discografia e vasta quantidade de fotos do cantor, o livro conta ainda com um texto do próprio Tom e com prefácio de David Byrne.

Tom Zé é, e continua sendo, o mais tropicalista de todos nós. Ouvir sua música é entrar num mundo paralelo que me faz sentir em casa. Tom é o suprassumo do gauche puro, belo e exótico.

Rita Lee

“Dizem que é adorável ler sobre si mesmo. Será? No caso presente, vejo que os italianos são cabras da peste. Eternas crianças armadas de uma caneta assanhada, só nasce Marco Polo por lá. Adaptam-se tanto à China de Kublai Khan quanto ao sertão do Cabrobó. Foi um deles que escreveu esta biografia. Por isso, li o livro de uma sentada só.”
Tom Zé, em sua nota à edição brasileira


“Só ouvi o disco com o arame farpado na capa ao voltar a Nova York algumas semanas depois. Coloquei a agulha da vitrola na primeira faixa e minha cabeça explodiu. O que era aquilo? Aquela música parecia ter mais em comum com a cena avant-garde de Nova York do que com qualquer disco de MPB ou samba que eu ouvira antes. Naquele disco ouvi instrumentos musicais brasileiros próprios de estilos regionais e populares – cavaquinhos, acordeões e repiniques – usados como se todos os elementos desses gêneros populares fossem descontruídos, tivessem explodido, e as partes fossem rearranjadas por algum minimalista radical.”

David Byrne, em seu prefácio

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