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Livro mostra genocídio armênio como gênese de massacres atuais

A Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) lança neste mês o livro “Genocídio Armênio:
Protótipo do Genocídio dos Tempos Modernos” (392 páginas), organizado pelas professoras Maria Luiza Tucci Carneiro e Lusine Yeghiazaryan. A publicação é resultado de um seminário internacional promovido em 2010 na USP, que abordou, entre outros temas, como o massacre desse povo pelo governo do Império Turco-otomano na 1ª Guerra Mundial pode ser definido como um protótipo do que ocorreu com os judeus no conflito seguinte e como a “gênese do genocídio moderno”, por ainda se repetir em pleno século 21

Não são poucas as notícias internacionais nos últimos anos relacionadas à intolerância, ao extremismo, às migrações forçadas, às perseguições e aos extermínios em massa de determinados grupos étnicos e povos. Segundo os acadêmicos e autores dos estudos publicados no livro, a luta contra novos genocídios permanece como um dos maiores desafios no mundo. Eles lembram que não há até hoje mecanismos eficazes para prevenir massacres do tipo.
As caravanas de morte a partir de 1915 dizimaram mais de 1,5 milhão de armênios, ou dois terços da população da etnia que vivia sob o Império Turco-otomano. Muitos foram massacrados onde moravam, em marchas forçadas em direção a regiões desérticas da Síria e em campos de concentração

Porém, esse genocídio segue impune e, por interesses político-econômicos, não é reconhecido pela Turquia, nem por muitas nações ditas civilizadas. Da mesma forma, não houve reparação por parte do estado turco, o que justifica que uma das prioridades da política externa da Armênia seja a criação de freios para esses massacres étnicos no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), com o debate sobre as motivações, as formas como ocorrem e as consequências duradouras mesmo para as gerações seguintes

O livro “Genocídio Armênio: O Protótipo de Genocídio dos Tempos Modernos” é homônimo do seminário internacional sobre os 95 anos do massacre, organizado pela USP, com a colaboração de entidades nacionais, do Consulado-geral Honorário da República da Armênia em São Paulo e do Zoryan Institute do Canadá. Os textos são artigos ou estudos de acadêmicos e personalidades de países como Brasil, Canadá, Estados Unidos, Armênia e até da Turquia, que participaram do evento.

Organizadoras do livro
Maria Luiza Tucci Carneiro é historiadora, professora do Departamento de História e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Já Lusine Yeghiazaryan é docente e coordenadora da área de Língua e Literatura Armênia da FFLCH da USP, onde também coordena um projeto temático sobre os armênios no Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação.

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