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Eu Já Estive Em “Palavras de Despedida”, de Benjamin Ferencz

Sim, esse vai ser um daqueles livros que vai te deixar com um quentinho no coração. Daquelas histórias de quem superou as dificuldades e teve uma vida feliz. A introdução de Palavras de Despedida é escrita por Nadia Khomani, jornalista do The Guardian que tinha Benjamin como fonte e passou a conversar/entrevistá-lo, e dessas conversas conseguiu pensar nesse lindo livro. Nadia traz para o leitor algo que aprendeu com as conversas que teve com Benjamin: Primeiro, nunca desista; Segundo, nunca desista e Terceiro, nunca desista.

Benjamin é o tipo de pessoa que traz nas veias inspirar sempre. Em uma passagem pelo jardim de infância, morando já em Nova Iorque com ruas repletas de gangues, já tirava lição da vida e passou a ter como premissa viva e deixe viver. “Eu vivia pela minha esperteza. Às vezes, na vida, é tudo o que precisamos fazer”, conta Benjamin que fazia de tudo um pouco pelas ruas de Nova Iorque para levar um trocado para casa. Segundo o autor, a nossa personalidade se deve a uma combinação de muitos fatores, que incluem as pessoas das quais nos cercamos, as oportunidades que nos são concedidas, assim como nossa crença em nós mesmos e nossa determinação, aqui já avaliam as chances que conquistou na escola e depois na faculdade de Direito.

No capítulo Sobre Educação, um dos meus preferidos, Benjamin fala sobre a importância de aprendermos com todas as situações da vida. Aprender não é apenas o ato de ir até a escola e estudar. Acordar e sentir o seu corpo é aprender como ele funciona pela manhã e pode te ajudar muito no dia a dia. Num episódio onde conta sobre a separação de seus pais ele diz: é importante descobrir pelo o que vale a pena lutar, e às vezes é melhor você se libertar de uma situação impossível de resolver. Tudo é uma oportunidade de aprendermos algo novo, e nunca se sabe quão útil esse conhecimento será.

Outro ensinamento de Benjamin, no capítulo Sobre Circunstâncias, me chamou a atenção porque já é algo que carrego para a minha vida: ser pontual – ou melhor ainda, chegar cedo – é um dos prêmios mais fáceis que você pode dar a si mesmo. Segundo o autor, chegando um pouco antes da hora você não desperdiça o tempo de ninguém e ainda evita caras fechadas. Pratique a pontualidade: vitórias fáceis são, ainda assim, vitórias. E contrariando muitas visões que já vi por aí, Benjamin destaca que as famosas redes de proteção (principalmente as familiares) podem deixar você preguiçoso. Precisar do que você deseja pode torná-lo mais ambicioso, mais motivado, mais criativo, mais apaixonado.

Benjamin Ferencz perdeu sua companheira, a Gertrude, recentemente, em 2019, e ainda se recupera da ausência da parceira de vida com quem viveu junto por 74 anos. Dessa ausência e das tantas cartas que teve contato e que ajudaram a compor o arquivo do Museu Memorial do Holocausto, nos Estados Unidos, ele sugere: eu estimularia todos os jovens casais, mesmo que na era moderna, a escrever cartas, cartões ou bilhetes um para o outro. É importante que as pessoas das quais gostamos saibam o quanto são queridas.

Sinopse: em 2020, Benjamin Ferencz completou 100 anos de uma existência extraordinária. Ex-combatente na Segunda Guerra e único promotor ainda vivo dos julgamentos de Nuremberg, ele testemunhou o pior do ser humano, mas nunca perdeu a esperança e o otimismo. Em “Palavras de Despedida”, escreve sobre o melhor que podemos fazer por nós mesmos. É o seu legado. Suas lições falam de virtudes ao alcance de todos. Elas nos ensinam a manter os sonhos vivos e a nunca parar de aprender. A lapidar nossas forças, resistir ao mal e escrever cartas de amor. A entender que a vida é sinuosa e que ser bom é uma escolha. A proclamar nossas verdades, mesmo que ninguém nos ouça. Ferencz aprendeu cada ensinamento na carne, em histórias que vai contando com leveza, compaixão e pitadas de humor. Da infância difícil como imigrante nos Estados Unidos aos tribunais de crimes nazistas e à atuação como defensor dos direitos humanos, vislumbramos a trajetória de um homem justo que nos convida a construir um futuro melhor.

Benjamin Ferencz nasceu na Transilvânia, atualmente parte da Romênia. Graduou-se em Direito em Harvard e foi um dos promotores dos julgamentos de Nuremberg, em 1946. Depois da Segunda Guerra, liderou esforços para devolver bens e propriedades a sobreviventes do Holocausto e desempenhou um papel fundamental no estabelecimento do Tribunal Penal Internacional. Em 2019 enviuvou de Gertrude, sua namorada de adolescência e mãe de seus quatro filhos. Tem 101 anos e vive na Flórida, nos Estados Unidos.

Algumas de tantas frases de destaque do livro:

  • Amigos são importantes, mas é bom ficar em paz, na própria companhia. 
  • A felicidade de longo prazo vem de realizações que serão diferentes para cada um de nós.
  • Encontrar um pouco de alegria todos os dias de sua vida sustentará você.
  • Você não precisa aceitar algo que seja verdade só porque alguém em uma posição de autoridade lhe disse que é.
  • Paciência é uma virtude, boas coisas acontecem àqueles que esperam e, apesar das frustrações e dos ressentimentos, você deve rir quando for possível.
  • Suas fraquezas se tornam forças se você usá-las para impulsioná-lo.
  • Somente compreendendo o modo de pensar do outro é que você será capaz de argumentar com ele e, talvez, leva-lo a mudar de ideia.
  • Vidas não são caminhos em linha reta.
  • Não se torne aquilo que você odeia – se fizer isso, você se tornará o inimigo de outra pessoa e o ciclo se perpetuará.
  • Tudo é impossível até que seja feito.

“Palavras de Despedidas”, de Benjamin Ferencz, é composto por nove capítulos: sobre os sonhos, sobre educação, sobre circunstâncias, sobre a vida, sobre princípios, sobre a verdade, sobre o amor, sobre resistência e sobre o futuro. Tem 141 páginas e foi publicado pela Editora Sextante. Está à venda nas livrarias de todo o Brasil, assim como nas plataformas de e-commerce.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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