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Eu Já Estive Em “Nação Dopamina”, de Dra. Anna Lembke, pela editora Vestígio

Aqui estamos nós buscamos a famosa fórmula de chegar ao equilíbrio na vida. Sim, até ter prazer demais é um problema para nossa saúde mental. Tem que haver um equilíbrio entre prazer e sofrimento – as duas pontas da gangorra da nossa vida -, caso contrário, dificilmente teremos paz para viver.

Nação Dopamina, escrito pela doutora Anna Lembke e publicado pela editora Vestígio, começa nos apresentando um grande problema logo na primeira página: o smartphone. Torna-se um problema não apenas por conta do uso excessivo das redes sociais, mas por ser porta de entrada
para praticamente tudo o que pode causar futuro sofrimento.

Pelo celular você fala com quem te vende drogas, acessa videos pornôs, passa o dia jogando, lendo, navegando… Claro que já sabemos que o problema não é o celular, mas o uso que cada um de nós fazemos dele, por quanto tempo e com quais finalidades. E, Nação Dopamina oferece, justamente, soluções
práticas para lidar com o consumo compulsivo e desenfreado num mundo onde esse consumo
tornou-se o motivo abrangente da nossa vida.

Por atuar profissionalmente com adicção, é possível aprender muito sobre o assunto nesta
leitura. A doutora nos explica que a definição genérica para adicção é o consumo contínuo e
compulsivo de uma substância ou um comportamento (jogos, videogame, sexo) apesar do mal que fazem para as pessoas e para os outros. Isso vale para tudo que entra na nossa vida em excesso, inclusive pelos livros. Pois é, pelos livros.

A autora usa vários exemplos de pacientes para nos ajudar a entender as diferentes formas de excesso e a leitura compulsiva foi o exemplo da própria doutora. Ela passou a ler romances compulsivamente, depois partiu para livros hot, mas tudo para fugir da realidade. Passava madrugadas lendo e sofria no dia seguinte quando não conseguia fazer tudo o que estava comprometida a fazer. Ela conta todo o processo feito para se livrar da leitura compulsiva, a ponto de se desfazer do seu e-reader, já que ali num simples clique tinha tantos novos livros à disposição.

A autora vai além do problema individual de cada um de nós e ressalta que o consumo
compulsivo é um risco não apenas a nossa vida, mas à vida do Planeta. Também comenta um assunto que vem sendo muito analisado: as crianças de hoje estão sendo criadas em uma cela acolchoada, sem possibilidade de se machucarem, mas também sem meios para se prepararem para o mundo. E aqui entramos em outro ponto destacado no livro: como educar as novas gerações para que elas não se sintam frustradas com os perrengues da vida. É complexo!

Outro ponto que me chamou atenção na obra diz respeito a honestidade radical, usada inclusive por membros dos Alcoólicos Anônimos para incentivar que as pessoas que queiram se recuperar sempre contem a verdade, porque é justamente o autocomprometimento que vai incentivá-las
a contar a verdade sobre o que aconteceu, se perdeu o prumo naquela noite e virou uma garrafa de vinho, e tudo bem. A vida segue a partir daí, eu não me sinto bem com o que fiz, entendi que seria legal para mim não fazer mais e vamos tentar mais uma vez. Sem julgamentos.

Segundo a doutora, contar a verdade é doloroso, mas essencial para quem está em recuperação, tentando deixar de lado seja qual for a adicção. Como exemplo ela cita o meto de Ulisses: compartilhar as nossas experiências nos dá domínio sobre elas. E, por incrível que pareça, a honestidade favorece as conexões humanas tornando-as mais íntimas.

Não acredito que vamos ter a solução para os nossos problemas com a leitura, mas são tantos os exemplos que pelo menos em um deles o leitor vai se identificar e assim parar e pensar se realmente está vivendo em equilíbrio ou não. Vamos a alguns trechos do livro:

  • Qualquer forma de dor é considerada perigosa, não apenas porque machuca, mas também porque se acredita que incite o cérebro para uma dor futura, deixando uma ferida neurológica
    que nunca sara.
  • Talvez o motivo de estarmos todos tão infelizes seja porque estamos dando duro para evitar sermos infelizes.
  • O paradoxo é que o hedonismo, a busca pelo prazer por si só, leva à anedonia, a incapacidade de desfrutar qualquer tipo de prazer.
  • O autocomprometimento é uma maneira de ser livre.
  • Qualquer droga que pressione o lado do prazer tem potencial para criar dependência.

O exercício tem um efeito mais positivo, a profundo e contínuo no humor, na ansiedade, na cognição, na energia e no sono, do que qualquer comprimido que eu possa receitar.

  • Escolham um colega para discutir um hábito que vocês queiram mudar e discutam alguns passos que queria tomar para fazer essa mudança.
  • Qualquer pessoa pode acordar num determinado dia e decidir: hoje eu não vou mentir sobre nada. E, ao fazer isso, não apenas mudar a sua vida para melhor, como também mudar o mundo.
  • O que cria a intimidade que desejamos não é a nossa perfeição, mas a disposição de trabalharmos juntos para remediar nossos erros.
  • A recuperação é como aquela cena do Harry Potter, quando Dumbledore desce por uma viela escura, acendendo postes de iluminação ao longo do caminho. Só quando ele chega ao fim da
    viela e olha para trás é que vê tudo iluminado e enxerga a luz do seu progresso.

Sinopse: este livro é sobre prazer. É também sobre sofrimento. Mas, mais importante: é um livro que fala sobre encontrar o delicado equilíbrio entre os dois. Estamos vivendo uma época de excessos: trabalho, redes sociais, televisão, notícias, comida, álcool, compras, jogos, sexo, drogas – uma abundância de estímulos com poder adictivo avassalador. Nos tornamos uma sociedade conectada o tempo todo e ainda assim alheia ao que acontece ao nosso redor. Com isso, estamos todos vulneráveis ao consumo excessivo e à compulsão. Em Nação Dopamina,

Dra. Anna Lembke, psiquiatra e professora da Escola de Medicinada renomada Universidade
Stanford, explora descobertas científicas impressionantes que explicam por que a busca
incansável pelo prazer gera mais sofrimento do que felicidade – e o que podemos fazer a
respeito. Traduzindo a complexidade da neurociência para metáforas fáceis de entender, Dra.Anna mostra que o caminho para tentar manter a dopamina sob controle é encontrar contentamento nas pequenas coisas e nos conectar com pessoas queridas. Como prova disso, a autora compartilha diversas experiências vividas por seus pacientes e por ela mesma, em trechos muito emocionantes. São histórias fascinantes de sofrimento e redenção que nos dão esperança de que é possível transformar a nossa vida. Você vai descobrir que o segredo para encontrar o equilíbrio é combinar a ciência do desejo com a sabedoria da recuperação.Dra. Anna Lembke é professora de Psiquiatria e Medicina de Adicção na Escola de Medicina da
Universidade Stanford e chefe da Stanford Addiction Medicine Dual Diagnosis Clinic.

Recebeu inúmeros prêmios pela excepcional pesquisa em doença mental, pela excelência no ensino e pela inovação clínica em tratamento. Acadêmica em medicina, publicou mais de 100 estudos revisados por pares, capítulos de livros e comentários em prestigiosos meios, tais como o New
England Journal of Medicine e o Journal of the American Medical Association. Faz parte do
conselho de várias organizações estaduais e nacionais voltadas para addicção, testemunhou em vários comitês na Câmara dos Deputados e no Senado dos Estados Unidos, mantém uma ativa agenda de palestras e exerce uma prática clínica de sucesso.

Nação Dopamina, escrito pela Dra. Anna Lembke e publicado pela editora Vestígio, tem 237páginas. É dividido em três partes: A busca do prazer, Autocomprometimento e A busca do Msofrimento, além da introdução e da conclusão.

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