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Eu Já Estive Em “Um de nós foi feliz”, de Paulo Stucchi

Sempre vi o passado com uma lembrança, mas ao ler Um de nós foi feliz, de Paulo Stucchi, aprendi que para alguns é necessário revistar o passado e entender os acontecimentos para que assim haja paz. E é preciso muita coragem para isso.

Pensando em como livrar-se de uma sombra que carrega há anos consigo, Susana deixa a família no Brasil para viajar até a Alemanha e buscar mais detalhes sobre a história do pai que morreu já há algum tempo. O pai precisou deixar a Alemanha rumo ao Brasil ainda moço por suas ideias não estarem de acordo com as condições políticas que Hitler impunha ao país e saber que podia perder a vida por isso.

As histórias são contadas paralelamente. Susana encontra a meia irmã na Alemanha, visita a lápide do pai e pede ajuda a Mia para que juntas releiam todas as cartas trocadas entre Susana e o pai e as correspondências trocadas entre o pai e Patrizia, grande amor de sua vida e mãe de Mia, a meia irmã, mas também o motivo pelo qual o pai deixou Susana, irmãos e a mãe no Brasil, rumo de volta a Alemanha. Mas quem é esse pai? Então, intercalando com a história de Susana, o autor conta a história de Jonas. Aí cabe ao leitor analisar quem dessa história foi feliz.

Três pontos muito marcantes na trama para mim: saber que o livro foi baseado em uma história real e que a Susana realmente existiu; ver que as cartas, hoje algo quase inexistente, foram tão importantes para que essa história fosse contada; e a sutileza com que o autor conseguiu inserir um personagem de seu outro livro “A filha do Reich” nessa história mesmo que brevemente (já que ambas têm o nazismo, Alemanha e Brasil como pano de fundo).

Ainda sobre a Susana, destaco a coragem da personagem em depois de tantos anos, de uma família formada, de uma vida construída, se propor a visitar a Alemanha, conhecer a meia irmã e juntas entenderem mais sobre a complexidade do pai. E, ainda sobre as cartas, foi muito interessante ver como a interpretação de poucas palavras, já que o pai era alguém que escrevia de forma direta, foi muito importante para dar o desfecho necessário a história.

Ao conversar com Paulo Stucchi, o autor nos disse que foi uma honra ter sido escolhido pela Maquinaria Editorial para contar a história de Tania Girke, a real Susana, romance que abre as portas para o gênero literário entre as publicações da editora. E como Paulo ressalta, se ao ler o livro, o leitor encontrar a redenção, seja pelo amor, seja pelo perdão, a missão foi cumprida.

Vamos a alguns trechos do livro:

– … foi dominada por uma sensação familiar e dolorosa, à qual se habituara a mais de trinta anos. Manter os pés no chão e os olhos presos em um futuro possível.

– … a morte nunca era algo tão simples. Pelo contrário, era uma dor impossível de ser minimizada; sempre faltava alguma palavra a ser dita, um perdão que viera tarde demais, uma palavra de afeto tardio que ficava travada na garganta.

– Tudo na vida se resume a sonhos que realizamos, aqueles que deixamos ir e aqueles que nos aprisionam…

– Vocês não fazem ideia do que é o nazismo. Ou fazem e simplesmente são idiotas…

– Sempre digo: onde os velhos comem, a comida é boa e barata. Mesmo porque o bolso não é fundo e o estômago já não é mais o mesmo.

Sinopse: no cemitério de Marburg, em um dia frio de inverno, uma mulher está em frente a uma lápide, acompanhada apenas por uma desconhecida e por uma sombra que a persegue há muitos anos. Ela decidiu viajar até a Alemanha unicamente para visitar esse túmulo, que guarda os restos do homem que sempre lhe fora um mistério: seu pai. Essas três figuras – a desconhecida, a sombra e o pai – são as respostas para um ciclo de infelicidade. Já em Neumarket, um menino está enfrentando as dificuldades comuns da adolescência antes de se tornar um homem. Da personalidade intempestiva, ele tem ideias bem diversas do pai e do irmão sobre o futuro e pretende colocá-las em ação. Ao mesmo tempo, está descobrindo o amor com uma colega de tranças duplas e olhos intensos. Mas, ao fundo, o nazismo ergue-se silencioso e cruel, ameaçando não apenas sua paixão juvenil e sua liberdade, mas toda a Alemanha.

Paulo Stucchi é jornalista, psicanalista e escritor. Apaixonou-se pela literatura logo na infância. Aos 16 anos, concluiu seu primeiro romance, O porta-retrato, que aborda o suicídio de um adolescente que, morto, procurava uma explicação para o seu ato. A narrativa foi elogiada por alguns membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Em 2008, venceu a timidez e publicou O Natal sem mamãe, que fora escrito originalmente em 2003 para uma peça de teatro. Em 2010, Paulo publicou um enredo policial chamado A fonte. Dois anos depois, apresentou a obra O triste amor de Augusto Ramonet, o primeiro romance de fundo histórico. Além disso também é autor de No fundo do Rio e A filha do Reich, sendo este finalista do Prêmio Jabuti em 2020.

Com 350 páginas e dividido em 50 capítulos, Um de nós foi feliz, de Paulo Stucchi, foi publicado pela Maquinaria Editorial e está a venda nas livrarias de todo o Brasil, assim como nas plataformas de e-commerce, no formato impresso e digital.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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