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Eu Já Estive Em “Haikai”, de Cássia Penteado

Delicadeza e Sensibilidade são os adjetivos escolhidos para apresentar Haikai, de Cássia Penteado. Começando pela apresentação e diagramação, o livro todo é de uma delicadeza sem tamanho: capa, ilustração, fonte escolhida, formato do livro, e todo o conteúdo escrito por Cássia. É daqueles livros que você pega com cuidado, pois parece uma flor, e se você apertar, pode machucar.

O livro é uma fonte incrível sobre a cultura japonesa, começando pelo nome Haikai: um estilo de poesia que contempla a brevidade, a interrupção, o corte. O cenário para a trama é São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, Minas Gerais, mas quando voltamos ao passado, vamos para Kyoto, no Japão. Dividido em Primavera, Verão, Outono e Inverno, o livro intercala a história da personagem que trabalha com o Senhor Murakami, que ajuda a cuidar de seu filho, que entende um de cerâmica e de shitakes (falando muito superficialmente sobre a história). Do outro lado, Sayuri está internada e o esposo, Murakami, e seu filho, estão tentando lidar com os sentimentos dessa situação. E, além disso, voltamos no tempo para entender também quem foi Sayuri e qual o sentido dela na história.

Para ressaltar o quanto de aprendizado esse livro me trouxe, separei a frase dele tirada: muitas vezes Sayuri cruzou os canteiros de kochia e de akizakura a caminho da minka do Mestre Ikigai. Aí, nesse momento, o glossário que existe nas páginas finais do livro é imprescindível. Kochia: arbusto de cerca de 70 centímetros de diâmetro que se torna vermelho no outono no Japão; Akizakura: cerejeira do outono, flores de coloração rosa; e minka: habitação de agricultores, artesãos e comerciantes.

E não feliz com toda a história, o final do livro ainda é muito importante, já que é durante os agradecimentos que Cássia conta toda a sua trajetória buscando conhecimento para escrever Haikai e nos faz valorizar ainda mais esse pequeno grande livro. Seguem mais alguns trechos da obra:

– Lenta a primavera vai enfeitando a vista paisagem: – a lua e a ameixeira!

– Entremeados nessa folhagem densa, os frutos, as flores invisíveis fecundadas na primavera, assazonam.

– A menina, esperada para o inverno, chegou no último terço do outono, daí o nome Sayuri, pequeno lírio que nasce adiantado.

Sinopse: Haikai conta a história de uma aspirante a poetisa de haicai que se muda para a cidade de São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, em busca de uma vida mais próxima a natureza, onde possa se inspirar para compor seus poemas. Para manter-se vai morar na fazenda do senhor Murakami, um produtor de cogumelos, que vive com o filho de oito anos, cuja mãe, Sayuri, ceramista, nascida e criada no Japão, em Kyoto, encontra-se internada em uma casa de repouso. Dividido em quatro partes: primavera, verão, outono, inverno, o livro vai, aos poucos, descortinando a história de vida de Sayuri. Do nascimento em 1976, até seus 21 anos, quando vem para o Brasil, prometida como noiva de Murakami. Como pano de fundo, Haikai nos leva a um passeio pela história e pela cultura japonesa, passando pela gastronomia, a arte da cerâmica, a política e os costumes orientais. O olhar da autora de Haikai é sutil, célere, detalhista e delicado, o que envolve o leitor a identificar-se com os personagens, nos dois países, trazendo pela arte literária, tom, cores e sabores, uma receita de prazer que aguça os sentidos.

Cássia Penteado é advogada, escritora e tradutora. Foi colaboradora do Diário da Região, em São José do Rio Preto. É autora das peças de teatro infantil, O Coelhinho Joca e A Verdadeira História do Meu Computador, com as quais conquistou dois prêmios no Festival de Teatro de São José do Rio Preto. Estreou na literatura com o romance EntreMeios (Reformatório, 2018). Em 2019, participou com o poema Cenas da Antologia de Poesia Contemporânea, Além da Terra, Além do Céu Volume IV (Editora Chiado). Em 2021, participou da Antologia 2020, O Ano que Não Começou (Reformatório), com o conto “2020, o Ano do Rato que o Vírus Roeu”.

Haikai, de Cássia Penteado, tem 100 páginas e conta com ilustrações lindíssimas de Mika Takahashi. Publicado pela editora Reformatório e está a venda nas livrarias de todo o Brasil, assim como nas plataformas de e-commerce.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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