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Eu Já Estive Em “Apolline”, de Elie Jotta, publicado por Astrolábio Edições

Apolline tem um estilo que é só dela: escrachada, decidida, não deixa a peteca cair. Mãe de duas filhas, cuida de toda a família desde que seu marido, Daniel, foi procurar ajuda em uma clínica. Romance daqueles que te instigam saber o que vai acontecer a cada página, Apolline se inicia bem antes de 2018, quando a história da protagonista está começando a ser contada. Lá em Paris, em 1978, tem muita coisa acontecendo na vida de um casal que virá à tona quarenta anos depois.

Não tem como eu falar um pouco mais do livro sem comentar sobre Mathias, o meio-irmão que Apolline conhece após descobrir que tem um pai rico que conduz uma família bem complexa. É ao conhecer esse pai que a vida de Apolline vai bagunçar bastante, já que para uma de suas filhas, toda essa possibilidade de uma vida cheia de luxo mexe bastante com ela.

Apolline passa a ter três homens permeando seu dia a dia: Daniel, o marido que está internado na clínica psiquiátrica e que ela acompanha quase que semanalmente; Cosme, o pai que surge na vida de Apolline de uma forma inesperada e dependendo muito da atenção dela; e Mathias, o meio-irmão que vem apresentar para Apolline muita coisa que sua vida de mãe quase solteira e batalhadora não lhe deu oportunidade de conhecer. E nesse meio tempo suas duas filhas estão crescendo e descobrindo o mundo, uma mais introvertida e outra com o sonho de ser uma influencer de sucesso.

A história se passa na França, mas você percebe muito da brasilidade de Elie Jotta na escrita e na personalidade de Apolline. Não conheço muito da personalidade das francesas, mas para mim a protagonista só pode ser brasileira. Toda a garra dela não pode ser de outra nacionalidade. A história te dá muitas oportunidades de criar teorias, algumas são mais obvias, outras te surpreendem porque tem muito plot twist também. O fim, inclusive, é cheio de emoções. E para variar, a minha teoria não se concluiu (eu nunca acerto), mas amei demais o desfecho da autora para todo o fim da história.

Ah, uma dúvida que tive e que sei que Elie vai responder ao ler a resenha: tem SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) na França? Pergunto por que em algumas situações, os personagens precisam do serviço e ele é citado durante o livro mais de uma vez.

Deixando aqui pequenos trechos da obra para que conheça mais sobre a escrita de Elie Jotta:

“Apolline sentiu a mão do marido sobre a sua. O gesto valia mais que mil sessões de psicanálise.”

“Eu sempre digo: meu irmão, sonho, só há dois tipos – aquele que você passa a vida acariciando e aquele que você luta para realizar. Depende do que dá mais prazer.”

“Não me surpreende. É fato que os mais sádicos torturadores costumam ser pais e avós afetuosos.”

“Dívidas, minha jovem, são amarras. Fuja deles sempre que possível.”

“Eu sempre achei que por mais difícil que fosse dizer a verdade, ela é sempre melhor que a mentira.”

“Um hábito bem francês. O prato de ostras é a opção indispensável no cardápio dos festejos de fim de ano, presente à mesa de todos os lares, dos mais humildes aos mais abastados.”

Sinopse: A manhã começou como as demais: despertador histérico, fila no chuveiro, mesa do café por fazer. “Diacho de rotina…”, conformou-se Apolline. Não. Aquela manhã não seria como as outras. A visita do homem engravatado e a revelação que caiu sobre ela como uma bomba viraram seu mundo às avessas. A mulher alegre e corajosa, a loba defensora da cria, a esposa dedicada, viu sua vida, outrora feita de baixos e muito baixos, tomar um rumo inesperado. No caminho, ela cruzou com Mathias, o sedutor, e Cosme, o protetor, e tornou-se a arma da qual o primeiro se valeu para ferir o segundo. Paixões proibidas, culpas, cicatrizes, mágoas do passado… Como fazer o amor germinar numa terra assolada por tantas pragas?

Sobre a autora: Elie Jotta nasceu no Rio de Janeiro em junho de 1960. Formou-se em Turismo na Faculdade Estácio de Sá – RJ e mudou-se em seguida para a capital francesa, onde reside atualmente. Em Paris, exerceu as funções de tradutora e intérprete. O hábito de narrar histórias e a paixão pelas letras a conduziram ao universo do romance. Além de Apolline, é autora de Códigos Rompidos e Amuleto Rebelde.

Apolline, de Elie Jotta, atualmente está disponível apenas no formato digital. Você o encontra na Amazon por R$20,00. Tem 360 páginas.

Janaína Leme

@eujaestiveem

1 Comentário »

  1. Que maravilha, Jana! Gratidão pela belíssima resenha que você escreveu sobre meu romance “Apolline”. E orgulho por você ter apreciado a leitura. Sou seguidora assídua de @eujaestiveem, admiro seu profissionalismo e sei o quanto suas dicas são preciosas. Leitores, escritores, gente que faz acontecer… todos contamos com pessoas como você para que o mundo das artes nunca deixe de brilhar.

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