Eu Já Estive Em “A Legião Negra”, de Oswaldo Faustino, publicado pelo Grupo Summus

Esse livro foi publicado em 2011, traz um pouco da história da Revolução Constitucionalista de 1932, e começamos com um trecho da obra que parece ter sido escrito hoje sobre a história dos dias de hoje: “As pessoas são assim mesmo. Um não gosta do outro por qualquer motivo. Às vezes nem depende da vontade de ninguém. Não gosta por ser baiano, por ser gordo, preto, branco, japonês, velho ou jovem demais, por ser de vila diferente. Um odeia o outro só porque torce pra time diferente ou tem outra religião, porque é pobre ou rico, de direita ou de esquerda. Quem agride sempre tem uma justificativa. Assim pode oprimir e (por que não?) até matar.”
Foi assim que escolhi começar a resenha de “A Legião Negra – a luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932”, escrito por Oswaldo Faustino e publicado pelo Selo Negro do Grupo Summus. Entre as histórias que mais gostei de conhecer nesse livro está a de Maria Soldado, paulista, da cidade de Limeira, trocou o avental por uma farda e, uniformizada juntou-se aos irmãos negros e marcou a passagem feminina na Revolução de 1932, recebendo o título de Mulher Símbolo da Revolução.
Tem muito mais história em todo o livro. O grande número de jornais, veículos de comunicação, que representavam os negros também era bem grande na ocasião e se fala sobre isso no livro também.
O prefácio da obra é assinado por Nei Lopes e já vem com muitas indicações, como o livro Bexiga, um bairro afro-italiano, comenta sobre a persistente imprensa negra e da Frente Negra Brasileira (FNB). Na introdução, A história por trás da história, o autor comenta sobre um possível filme sobre a Legião Negra, já que o Brasil nunca teve um filme que falasse sobre a importante participação do negro na Revolução de 32. O autor lembra que essa é uma obra de ficção, Tião, Miro, Bento, Luvercy, Orlando, Madalena, Dona Berenice, Neco e seu pai general, John e muitos outros personagens são todos criados pela imaginação do autor.
Os capítulos são intercalados, parte deles, por exemplo, Miro Patrocínio em Marilândia Paulista e Maria Soldado. No capítulo 20, comenta o suicídio de Alberto Santos Dumont, depois de constatar que criou a desgraça do mundo – a capital paulista estava prestes a ser bombardeada. Vem mais história com o Partido Popular Paulista, Legião Revolucionária, na Barão de Itapetininga com a Praça da República, relembrei a sigla MMDC (sobre as quatro mortes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Ou seja, tem muita, muita informação sobre a importância dos negros na história da Revolução Constitucionalista de 1932.
Vamos a alguns trechos do livro:
“Brava gente bandeirante é todo o povo paulista! Nós também somos paulistas. É também nossa a bandeira das 13 listras.”
“Não sei se sou republicano ou monarquista. Para ser alguma coisa, ou alguém, é preciso estudar. Por isso não sou nada. Não estudei, não sou ninguém.”
“São coisas da Ré… Pública, sistema político que faz o Brasil andar cada vez mais em marcha a ré.”
“Para que negros não se aproximassem dos locais frequentados por eles e suas famílias – em especial suas filhas – os poderosos se faziam generosos, facilitando às comunidades negras a Constituição e construção de seus próprios clubes e irmandades surgindo o Clube Campos Elísios em São Paulo e outros Brasil afora.”
Sinopse: Este romance histórico conta a história do batalhão composto por afrodescendentes que lutou contra a ditadura de Getulio Vargas pleiteando uma Constituição para o Brasil. O narrador, um centenário ex-combatente, volta atrás muitas décadas para recordar personagens e fatos da Revolução Constitucionalista de 1932, na qual perdeu amigos, conviveu com heróis e covardes, conheceu a dor e a coragem.
Oswaldo Faustino é jornalista desde 1976, além de escritor e estudioso de relações etnorraciais. Foi repórter de rádio, TV, revistas e vários jornais, como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, além de editor de Cultura do Diário Popular. Escreveu a biografia de Nei Lopes, primeiro volume da Coleção Retratos do Brasil Negro (Selo Negro, 2009) É coautor (com Aroldo Macedo) dos livros A cor o sucesso (Gente, 2000), Luana a menina que viu o Brasil neném (FTD, 2000), Luana e as sementes de Zumbi (FTD, 2007), Luana, Capoeira e Liberdade (FTD,2007), Luana e as asas da liberdade (FTD, 2010) e dos gibis Luana e sua turma (Editora Toque de Mydas). Colaborador da revista Raça Brasil desde sua criação, tem proferido palestras e ministrado minicursos para educadores sobre formas práticas de aplicação da Lei número 10.639/03. Participou da TV da Gente, de Netinho de Paula, escrevendo e produzindo histórias, que apresentava no programa infantil da emissora interpretando o personagem Tio Bah.
“A Legião Negra – A luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932”, de Oswaldo Faustino, publicado pelo Selo Negro do Grupo Summus, tem 224 páginas e está à venda no formato impresso e no formato digital nas plataformas de e-commerce e no https://www.gruposummus.com.br/livro/legiao-negra-a/. Deixo aqui também o meu link dos https://amzn.to/3DpiP8V 😊
Janaina Leme
@eujaestiveem