Eu Já Estive Em “A Viajante da Noite”, de Armando Lucas Correa, publicado pela Editora Jangada

Como a Segunda Guerra, em especial o Holocausto, pode perpetuar por muitas gerações de uma família? Avó, Filha e Neta impactadas por uma decisão que aconteceu em maio de 1939. Alley, a avó, precisa embarcar sua filha Lilith para longe de Berlim para que ela possa sobreviver. As atrocidades impostas pelos nazistas que impactam a vida de uma menina de 5 anos são enormes, a ponto de ser melhor ela se separar da mãe. Assim começa “A Viajante da Noite”, de Armando Lucas Correa.
A história de Alley está na parte um do livro, depois partimos para a parte dois, onde retrata-se a história de Lilith e na parte três temos a história de Nadine. Sem dar spoilers, como a história de Nadine se conecta com a da avó Alley é boa demais. A situação não é nada boa, mas foi uma das partes da trama que mais me deixaram de queixo caído com a criatividade do autor.
Um ponto bem importante nesse livro é prestar atenção ao início de cada capítulo, quando o autor informa quando se passa o texto a seguir. Algumas vezes há um vai e vem, então estar atento ao tempo da história é extremamente importante. Aprender sobre o que foi a “Lei de Proteção do Sangue Alemão e da Honra Alemã” foi algo que me impactou como, assim como saber que a história do transatlântico St. Louis é real. Essa também é uma parte que me encantou demais na leitura, já que amo muito quando um livro acrescenta conhecimento às nossas vidas.
Pensa que uma tabela publicada no jornal permitia que as pessoas descobrissem quão impuro era o seu sangue – mestiço, mulato, judeu? Não quero falar muito mais sobre a história de Lilith para não dar spoilers, mas tudo o que se passa com ela no que diz respeito a política também me ensinou muito. E Nadine e Luna são extremamente importantes para o desfecho da história, digamos que Luna, especificamente. Aqui corrijo tudo o que é dito sobre o livro porque para mim, na verdade, estamos falando da história de quatro mulheres: Alley, Lilith, Nadine e Luna, porque sem a sagacidade de Luna, acho que a história não teria o desfecho que teve. E a parte três, especificamente está repleta de plot twist. Amei todos. Ah, você vai ler sobre isso logo no começo, então isso vou contar: A Viajante da Noite é nome de um poema de Alley e ela o escreve porque Lilith só podia sair de casa à noite, já que “à noite somos todos da mesma cor.”
Vamos a alguns trechos do livro:
“Embora suas famílias as ajudassem, as duas passavam as tardes trabalhando em uma loja de departamentos no centro da cidade, vendendo perfumes. `Todo mundo se esconde sob odores´.”
“Ninguém deveria ter um livro negado – Lilith interrompeu. – Não existe essa coisa de livros impróprios. Todo livro pode ensinar algo.”
“Mais um segundo, e ela adormecia. Era isso o que desejava acima de tudo. Dormir até que o pesadelo acabasse. Acordada, estava condenada a um delírio infinito.”
“Quantas vezes uma pessoa pode morrer nesta vida?, perguntou-se. Aquele era um desses momentos, ela tinha certeza. Seria melhor nunca mais acordar, seria tão fácil.”
“Ninguém sabe onde nosso coração vai nos levar.”
Sinopse: “este romance une quatro gerações de mulheres separadas pelo tempo, que embarcam em uma jornada de autodescoberta. Berlim, 1931: Ally Keller, uma jovem e talentosa poetisa, está sozinha e assustada quando dá à luz uma criança mestiça, à qual dá o nome de Lilith. Com a ascensão dos nazistas ao poder e o desaparecimento do pai de sua filha, Ally sabe que deve manter segredo sobre ela, mas, conforme Lilith cresce, torna-se cada vez mais difícil mantê-la escondida. Enfrentando muitos perigos, Ally consegue mandá-la a um lugar seguro do outro lado do oceano. Havana, 1958: Lilith tem poucas lembranças da mãe e de sua infância na Alemanha. Vivendo feliz ao lado de Martin, um piloto cubano com fortes vínculos com o governo de Batista, e com sua filha recém-nascida Nadine, ela se vê em uma terrível encruzilhada quando as chamas da revolução se inflamam. Berlim, 1988: Nadine é uma cientista que se dedica a assegurar a dignidade dos restos mortais de todos aqueles assassinados pelos nazistas. Sempre evitando a verdade sobre a história de sua família, agora sua filha Luna terá que a encorajar a descobrir os fatos sobre as escolhas que a mãe e a avó fizeram para garantir a sobrevivência de suas filhas. E caberá a Luna lidar com uma traição chocante, que mudará tudo o que ela achava que sabia sobre o passado da família.”
Sobre o autor: Armando Lucas Correa é jornalista premiado, autor e editor-chefe da revista People en Español, a revista hispânica mais vendida dos Estados Unidos. Também é editor da revista cubana Tables. Já recebeu vários prêmios da Associação Nacional de Publicações Hispânicas e da Sociedade de Jornalismo Profissional. É autor do best-seller internacional A Garota Alemã, publicado em treze idiomas, e de A Filha Esquecida, publicado no Brasil pela editora Jangada.
A Viajante da Noite, de Armanda Lucas Correa, publicado pela Editora Jangada, tem 400 páginas e está à venda nas livrarias de todo o Brasil. Também está disponível nas plataformas de e-commerce nos formatos impresso e digital.
Janaína Leme
@eujaestiveem