Eu Já Estive Em “Pequenos Objetos Mágicos” de Fábio Yabu

Em um livro dedicado ao seu pai, Fábio Yabu traz a sensibilidade do artista para os contos. Os objetos do cotidiano como lápis, marca-texto, se misturam ao gato de estimação, descobertas de sua filha, a ancestralidade dos avós, o dia a dia da editora, tudo com muita harmonia, alegria e conteúdo. Em “Pequenos Objetos Mágicos”, você tem uma obra de arte em mãos. As ilustrações são de Veridiana Scarpelli, publicado pela Editora Melhoramentos com todo o sentimento e olhar incrível para os contos de Fábio Yabu.
O autor diz logo na introdução que não terminou sendo o mesmo depois que escreveu o livro. Acredito que você terá um olhar mais apaixonado para algumas coisas após ler esse livro também, pelo menos foi assim que terminei. Ainda na introdução, Fabio explica um pouco sobre todos os contos, dando um contexto para o leitor. Eu li antes e li depois.
Passando rapidamente pelos contos, em Palavras flutuantes em um lugar sem parede, não há palavras erradas, elas só estão colocadas no lugar errado, mas quando estão “literalmente erradas”, nada como um “respiro” para ajustá-las e vida que segue e adorei a palavra escolhida como protagonista de todo o livro, já que ela vai perambular por vários dos contos da obra.
Em Tugafrida você terá contato com a fofura sem fim do autor descrevendo os momentos de sua filha Luna colocando seus dedos nos potinhos de tinta. Penso na importância desse momento, principalmente para um pai artista.
Seguimos para Perseguição Implacável, onde a revisora Bel entra numa jornada para resolver um grande problema até então nunca acontecido em sua carreira: um erro publicado em um livro revisado por ela. Ela recorre ao Mago Z (Ziraldo, na minha humilde imaginação), para ajudá-la nessa jornada, e aqui já começa o cross com o primeiro conto, cross esse que vai permear o livro todo.
Indo para Olhos Tão Grandes você vai sentir saudades da tua avó e dos momentos que pode e deve ter passado ao lado dela.
O livro segue em Procura-se Bel. Nossa revisora continua desaparecida após ter procurado o Mago Z, o texto revisita toda a discussão de roubar lanches na geladeira, uma polêmica que assola locais de trabalho há décadas, além de descobrir que a Editora Melhoramentos, que publicou esse livro, lança me média 60 títulos por mês. Quanta coisa!
Partimos para Como Salvar o Mundo Usando Uma Caneta Bic e só as ilustrações feitas aqui já valiam tudo. São 100 bilhões de canetas Bic fabricadas desde 1946, o mesmo número de estrelas, talvez! Para mim, nesse conto, o mais inusitado foi onde os alienígenas escolheram estar, e Miguel, perdeu uma grande oportunidade esquecendo sua Bic, ou seja, jamais esqueça a sua.
O Girassol do Monsieur Lassimone traz a história do lápis que foi criado em 1620 na cidade de Nuremberg, na Alemanha, mas o apontador chegou 240 anos depois, como você encara a chegada do apontador? Algo bom ou ruim? E acredite, esse é o conto que originou todo esse livro.
A Trilha, esse eu só entendi os objetos no fim do conto, mas para mim poderia ser cada um de nós. Aí vem Fatos estimados sobre a criação do marca-texto, que chega até a citar a Stabilo e que a duração da marcação da tinta no texto dura em média três meses;
O décimo segundo gêmeo, mais um conto, eu achei bem triste o fim do lápis de cor branco, mas na real a gente nunca o usa para nada mesmo.
Fim, outro conto, volta a contar a história da palavra que não contei para não dar spoiler, mas que é a protagonista do livro – lembra que falei que ela aparece o tempo todo entre os contos? – ele pensa que chegamos ao fim do livro; por isso, reaparece, mas não, ainda tem histórias para contar.
É o Gato foi um dos contos mais intrigantes para mim porque também acho que eles nos conectam com outras dimensões. Em O Plano a palavra protagonista volta a aparecer e encontra com Mago Z, o mesmo que Bel encontrou e que eu acho que é Ziraldo.
Meio-Dia e Quinze traz o relógio de pulso e a sensibilidade do autor em prestar atenção nos desenhos das crianças e transformá-los em um conto. Como escrever um conto, Fabio começa a contar como escrever um conto, mas é atropelado pela palavra protagonista não mencionada aqui e vão em busca de como trazer Bel de volta antes do livro acabar. Eles precisam de uma palavra mágica para isso, arrisca dizer uma?
Em A Conspiração dos Gansos as aves querem acabar com os humanos, que usam suas penas para escrever, aqui o autor vai mais fundo, com uma pitada de negacionismo na história.
Carinhoso voltamos a ter Bel na trama tentando encontrar uma forma de acabar com a palavra protagonista que está tirando o sossego dela. O Criador do mundo é fofo demais e mostra como um problema se transformou numa solução tão única.
Aí tem O menor conto do mundo, onde eu estou gastando mais palavras para apresentá-lo do que o autor em seu conteúdo e terminamos com O barqueiro, e a última viagem a ser feita.
Pequenos Objetos Mágicos é um livro que refresca sua mente, que te dá saudades do tempo em que você passava horas arrumando seu estojo para ir para a escola, que você se preocupava em ter seus lápis todos apontados, limpos e organizados, também te faz refletir sobre o quanto é importante poder olhar para o lado e ver seus filhos crescendo e interagindo com quem amam num ambiente saudável, fazendo o que gostam com quem gostam. Também tem a palavra protagonista que não foi mencionada, que é considerada um erro o livro todo, mas graça ao seu empenho e toda sua luta, prova que o erro existe aos olhos de quem quer enxergar dessa forma, pode ser erro para uns, pode ser um lindo acerto para outros, basta encontrar o seu lugar 😊.
“O final de um livro é algo além da própria compreensão. Literalmente. Quem chega ao final de um livro, deixa de ser uma simples palavra, um simples texto, e se torna algo maior e mais poderoso.”
“Lugares são passagens, histórias são jornadas. Lugares são estáticos, enquanto as histórias estão sempre sendo escritas.”
“Dizem que a leitura nos transporta para novos lugares, mas eu creio que, mais do que isso, a leitura é capaz de construir mundos inteiros dentro de nós.”
Sinopse: Neste livro de contos de Fábio Yabu, os personagens principais são objetos que nos permitem estabelecer a comunicação. A escrita, o desenho, os livros, o lápis e a caneta são os narradores e um único mistério envolve todas as histórias, desafiando o leitor a resolver o enigma e a conhecer mais sobre estes fantásticos objetos. Narrativa intrigante que envolve vários personagens da realidade, e ficções sobre a realidade; ilustrações fortes, divertidas e excêntricas que chamarão a atenção de leitores de todas as idades; A obra faz referência a brincadeiras infantis, invenções do mundo real e é permeada por uma aventura que se desenrola por trás de cada conto.
Fábio Yabu nasceu em Santos, SP, em 1979. É filho de Eiji e Satsue. Graças a eles, tornou-se escritor e publicou dezenas de livros e quadrinhos no Brasil e no exterior. Dentre seus trabalhos de maior êxito, estão a série de livros e desenhos animados “Princesa do Mar”, a série em quadrinhos “Combo Rangers” e a adaptação da série de RPG “Ordem Paranormal”. Pela Melhoramentos, organizou e ilustrou as coletâneas Os Meninos Maluquinhos e As Meninas Maluquinhas, em homenagem a Ziraldo. Sua maior aventura é ser pai da Luna.
“Pequenos Objetos Mágicos”, de Fábio Yabu, com ilustrações de Veridiana Scarpelli, foi publicado pela Editora Melhoramentos. Tem 176 páginas e está à venda nas livrarias de todo o Brasil e nas plataformas de e-commerce no formato impresso e digital. Mas esse, com certeza, é daqueles livros que vale muito a pena ter ele no impresso porque a qualidade da impressão e todas as ilustrações são incríveis.
Janaína Leme
@eujaestiveem