Eu Já Estive Em “20 dias em Mariupul” filme dirigido por Mstyslav Chernov e distribuído por Synapse Distribution

Estreia no dia 7 de março nos cinemas do Brasil, o documentário “20 Dias em Mariupol”, dirigido por Mstyslav Chernov, com distribuição da Synapse Distribution. Indicada ao Oscar deste ano na categoria de melhor documentário em longa-metragem, e vencedora do Festival de Sundance, a produção acompanha um grupo de jornalistas ucranianos que registram a invasão da Rússia na cidade de Mariupol. Sem saída, a equipe passa por desastres em alta escala, como o bombardeamento de um hospital-maternidade.
Mstyslav Chernov é um cineasta e fotojornalista vencedor do prêmio Pulitzer pelo trabalho de cobertura do ataque retratado no filme. Já cobriu conflitos no Iraque, Afeganistão e em Kiev, capital da Ucrânia. Para compor o documentário, ele e seus companheiros de equipe — correspondentes da The Associated Press, também produtora do longa — estiveram presentes desde o início da invasão russa, do primeiro bombardeio ao corte de água, de suprimentos e das torres de sinal. Também foram os últimos jornalistas a permanecerem na cidade. Enquanto filmavam a situação local, fugiam dos soldados russos para não serem capturados.
“A primeira reação é o caos. As pessoas não sabem o que está acontecendo e entram em pânico. No começo, eu não consegui entender por que Mariupol desmoronou tão rapidamente. Agora sei que foi por falta de comunicação. Sem nenhuma informação saindo de uma cidade, sem fotos de prédios demolidos e crianças morrendo, as forças russas podiam fazer o que quisessem. Se não fosse por nós, não haveria nada (exposto). É por isso que corremos tantos riscos para poder mostrar ao mundo o que vimos, e foi isso que fez com que a Rússia estivesse suficientemente brava para nos caçar. Nunca achei que quebrar o silêncio fosse tão importante”, afirma Chernov.
“20 Dias em Mariupol” já passou por quase 50 festivais internacionais, como Sundance – onde ganhou o prêmio de Melhor Documentário – Toronto e San Diego, conquistando mais de 20 prêmios no total. Além do Oscar 2024, o filme também está indicado ao BAFTA em duas categorias. No Rotten Tomatoes, o longa tem 100% de aprovação da crítica.
Tem duas frases do longa que me marcaram: “as guerras não começam com explosões, começam com silêncio” e “a guerra é como um raio X, mostra como as pessoas são por dentro”, essa segunda é dita quando civis, mesmo vendo o desespero dos demais, começam a saquear lojas ao invés de ajudar quem tem necessidade.
Entre as cenas que me chamaram atenção, tem o abrigo improvisado dentro da academia e as pessoas colando fita nos espelhos para não se machucarem, caso aconteça outra explosão. Obvio que tem cenas muito fortes, é uma guerra, e médicos e policiais pedem para que tudo seja filmado para documentar. Isso porque o tempo todo a Rússia diz que está atacando o exército, mas todos visto no documentário, mortos ou buscando ajuda, são civis, e são muitos, milhares. As pessoas ali filmadas mesmo falam que é muito doloroso para assistir, mas tem que ser doloroso, é uma guerra.
Por outro lado, é assistindo documentários como esse que você consegue ter uma pequena dimensão do que ainda segue acontecendo entre Rússia e Ucrânia. Concorrendo ao Oscar, que acontece no próximo dia 10 de março, fica a dica documentário imprescindível para todos. Nos cinemas de todo o Brasil a partir do dia 7, com distribuição de Synapse Distribution.
Janaína Leme
@eujaestiveem