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Aberto ao público, Festival Filamentos discute intersecções entre arte e ecologia em aceno ao COP 30

O Festival Filamentos é um encontro on-line, gratuito e, nesta edição, aberto ao público geral, que reúne criadores, pensadores e o público em geral que estiver interessado em conversar sobre as intersecções entre arte e ecologia. O evento também se organiza em sintonia com a COP 30, reafirmando o propósito do Filamentos de constituir um espaço de diálogo sobre meio ambiente, literatura e pensamento contemporâneo. O evento acontece dia 08 de novembro, sábado, das 10h às 13h, via Zoom. O link para inscrição está disponível aqui: https://bit.ly/filamentos-cop30.

Um dos assuntos norteadores do encontro será o conteúdo do livro Quimeras do Agora: Literatura, Ecologia e Imaginação Política no Antropoceno, de Ana Rüsche, uma das idealizadoras do projeto. Além de Ana, o festival tem participação de Sandra Abrano, editora da Bandeirola; Mariana Correia Santos, poeta, escritora tradutora e assistente editorial; Gisele Mirabai,  escritora, pesquisadora e roteirista; também doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), na linha de Ecocrítica; Eduardo Socha, doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP); Pedro Bravo, professor adjunto no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFABC; e os pesquisadores André Araújo, doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM-UFRGS, e Fernando Silva e Silva, doutor em Filosofia (PUCRS), os dois integram a Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH).

Com encontros mensais há três anos, o Filamentos aborda a crise climática por meio da leitura e da literatura. A discussão de textos teóricos e literários de forma concomitante abre caminhos para atualizar temas e conhecer ideias centrais no debate ecológico.

Histórico do Festival FIlamentos

A pesquisa de pós-doutorado da curadora, Ana Rüsche, foi a origem das atividades do grupo Filamentos. A investigação foi publicada no livro de crítica Quimeras do agora: Literatura, Ecologia e Imaginação Política no Antropoceno e no guia Filamentos: leituras ecológicas comentadas. O grupo é constituído por amantes da leitura, com formações diversas, da Biologia à Engenharia de Alimentos, das Letras à Pedagogia, que se reúnem on-line. Para entrar na comunidade do Filamentos, basta acessar o link catarse.me/filamentos2025.

O Festival Filamentos, por onde se organizam as discussões, teve na sua primeira edição  o tema da água por meio da oceanografia, da crítica literária e do cinema, com as participações de André Araújo, Adriana Lippi e Saskia Sá. A segunda edição destacou a terra, em suas múltiplas acepções, teve conversas sobre biocombustíveis, Teoria de Gaia, Mata Atlântica e literatura, com presença de Daniel Galera, Gisele Mirabai e Thiago Ambrósio Lage. 

Na terceira edição, foi discutido o uso da palavra, da divulgação científica à poesia, para pensar a questão ecológica, com as participações de Cecília Garcia, Katia Marches, Marcos Rodrigues e Priscila Calado. A quarta edição, com os livros sobre ecologia no centro da discussão, da filosofia ao livro voltado a crianças e jovens, teve as presenças de Alice Stock, Eduardo Socha, Maria Carolina Casati e Mariana Brecht. A quinta edição, comemorativa, fez uma celebração à longevidade do projeto, com o tema central de criar comunidades. O evento contou com as participações de André Cáceres, Paula Carvalho, Eduardo Fernandes e Thiago Ambrósio Lage.

A sexta edição tratou do tema “folhas”, seja nas bibliotecas ou nas árvores, com a discussão de livros sobre plantas. Na programação, uma atividade de criação, conduzida por Sandra Abrano, e painéis com Fabrícia Walace Rodrigues e Bruno Matangrano. A nova edição foi marcada por ocasião da COP 30, como uma possibilidade de propiciar debates e conversas.

Sobre o livro Quimeras do agora: Literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno, de Ana Rüsche 

A obra traz as fundamentações críticas contemporâneas do pensamento ecológico, das utopias e distopias literárias aos principais textos sobre o Antropoceno. O termo “Antropoceno” refere-se a um novo momento na história do planeta, no qual a ação humana impacta a vida com tal magnitude que afeta a própria estrutura geológica da Terra. “A importância da construção desse nome para um novo tempo reside num movimento científico e também político: trata-se do reconhecimento da emergência climática, cuja origem remonta à ação humana.”

Elaborado por Ana Rüsche durante o pós-doutorado sobre mudança climática e ficção científica na Universidade de São Paulo (USP), o livro apresenta temas fundamentais para entender e refletir os tempos do agora. Partindo da Literatura a autora se detém inicialmente na literatura de horror, discute o negacionismo e a criação de consensos falsos, apresenta as temidas e frequentemente proibidas utopias, circula pelas distopias e pelo ecocídio, mas antes passa pelos horrores coloniais, “inenarráveis por sua escala, crueldade e sistematicidade”. Nesse trajeto, elabora que “a imobilidade da imaginação é o maior presente que podemos dar ao capital”.

O livro conta com orelha de Jorge de Almeida, professor de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH-USP, que escreve: “Como nomear o inominável e imaginar o inimaginável, para finalmente mudar o que parece imutável? Este belo ensaio da escritora e pesquisadora Ana Rüsche enfrenta essa difícil questão, defendendo a importância da literatura para a representação crítica e a superação coletiva dos pesadelos causados pela crise climática”. 

O prefácio é assinado por Marcos Rodrigues, biólogo e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trecho: “Quimeras do agora analisa a ambivalência do nome ‘antropoceno’ a partir de obras tão díspares no espaço e no tempo como o da ficção científica A floresta é o nome do mundo, de Ursula Le Guin (1972), e o ensaio contemporâneo do quilombola Nêgo Bispo, A Terra dá, a Terra quer (2023).”

Já Paula Benevides de Morais, professora de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Tocantins (UFT), escreve: “Ana traz as — suas e outras — palavras para costurar as feridas abertas no corpo coletivo da humanidade e provoca nossos desatinos de sonhar e viver no Antropoceno. Sua dança em par com grandes escritores como Euclides da Cunha, Manuel Bandeira, Ignácio de Loyola Brandão, Thomas Moore e Ursula Le Guin e filósofos da altura de Donna Haraway, Malcom Ferdinand e Naomi Klein nos escancara os olhos e engaja a imaginação por um presente menos distópico.”

Fabio Rubio Scarano, Curador do Museu do Amanhã e professor titular de Ecologia da UFRJ, comenta: “Utopia e o fim do mundo, ciência e ficção científica, Frankenstein e Manuel Bandeira… só a Ana. Ela com as palavras faz um bordado, adorna com laço de fita e nos dá esse livro de presente.”

Ana Rüsche (São Paulo, 1979)
Escritora, poeta e pesquisadora, finalista do Prêmio Jabuti e vencedora do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica com A telepatia são os outros (2019), publicado também na Itália como Telempatia. Tem quatro livros de poesia publicados, com obras traduzidas para o México e os Estados Unidos. Sua prosa poética Do amor: o dia em que Rimbaud decidiu vender armas foi finalista do Prêmio Nascente USP.

Teve contos publicados na Coreia do Sul, Colômbia, México, Itália e Brasil, e foi uma das autoras convidadas da WorldCon 2023, na China. Atualmente, realiza doutorado em ecocrítica na UnB, após pós-doutorado na USP sobre crise climática e literatura, que resultou no livro Quimeras do agora: Literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno (Bandeirola, 2025. É também doutora em Letras e mestre em Direito Internacional, com atuação em cursos no Sesc, Poiesis e CLACSO. Colabora com veículos como Suplemento Pernambuco e Revista 451.

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