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O advogado que levou a razão para literatura

Romance, intrigas e reviravoltas sempre fizeram parte do cotidiano do advogado João Gilberto Marin Carrijo. Durante a pandemia, com mais tempo livre, bastou um impulso para transformar essas experiências em narrativa: mergulhar na escrita foi um salto natural. Ele não é um biógrafo, mas um observador atento, que conduz suas histórias com raciocínio analítico e intuição apurada. De uma cena real, surgem textos e personagens que vivem ou morrem sob seu comando. Assim, chegou ao seu segundo livro, o recém-lançado Pai do Destino, entrelaçando vivências, leituras e, sobretudo, imaginação.

Natural de Curitiba, Carrijo é o quarto de seis irmãos, filho de um paulista e de uma paranaense. Sua infância foi marcada pela escassez. O pai, que trabalhou na roça durante a infância, ingressou, na adolescência, na Rede Ferroviária Federal, em Ourinhos (SP), como radiotelegrafista. Foi lá que conheceu a mãe, que atuava como escriturária. Em 1959, mesmo ano em que Carrijo nasceu, o casal mudou-se para a capital paranaense. Mais tarde, o pai formou-se em Matemática e deixou como legado uma valiosa lição: a persistência e a dedicação são conquistas que devem ser cultivadas todos os dias.

Na juventude, João Carrijo, que herdou o sobrenome e o temperamento da parte espanhola da família, prestou vestibular para Direito, mas trancou o curso no penúltimo ano por não concordar com decisões da faculdade em que estudava. Anos depois, retomou os estudos e formou-se pela Universidade Tuiuti do Paraná, abrindo seu próprio escritório de advocacia. Nesse meio-tempo, casou-se, teve duas filhas, Paola e Bruna, e construiu uma carreira sólida de 27 anos no antigo banco Bamerindus.

Estudou Análise de Sistemas e foi um dos sócios fundadores da Sociedade Paranaense de Ensino e Informática (SPEI), onde também se formou, lecionou e permaneceu na sociedade por dois anos. Essa habilidade de transitar por diferentes áreas acabou se refletindo também na sua trajetória como escritor.

“Tenho muita afinidade com a lógica. No meu processo criativo, raramente deixo pontas soltas. Invento fatos, cidades, personagens, mas a coerência está sempre presente na minha escrita”, afirma. Foi assim também com o primeiro livro, Vingança e Perdão, no qual recorreu a lembranças e experiências vividas na prática.

O processo criativo se aprofundou no segundo romance, Pai do Destino (2025), em que, a partir de uma história fictícia, o autor explora a delicada questão: é o destino ou o acaso que define o rumo da vida de uma pessoa?

Destino ou acaso?

No seu caso, ele acredita que tanto o destino quanto o acaso tiveram papéis decisivos em sua trajetória. Casado há quase quatro décadas com Sandra, relembra um breve afastamento do casal, ocorrido um ano antes do casamento. Quando soube que a ex-namorada estava iniciando um novo relacionamento, teve uma ideia inusitada para reconquistar o amor: aproveitou uma ação promocional, com o lançamento de folhetos por um avião no litoral do Paraná — onde Sandra estava — para espalhar milhares de panfletos declarando seu amor. Pouco tempo depois, os dois estavam casados. “Esse foi o destino”, brinca.

Mas o acaso também teve forte presença na sua vida profissional. Encontros inesperados o levaram do primeiro emprego até um cargo de executivo e, mais tarde, à advocacia em áreas diversas — do direito criminal ao trabalhista. Foi nesse caminho que desenvolveu a resiliência e a inquietação criativa que hoje alimentam sua escrita literária. O escritor vive atualmente em Curitiba, onde busca novas inspirações para o ofício que hoje acredita ser a sua verdadeira vocação.

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