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Lançamento: O voo da locomotiva, de Frei Betto

Para Rosa Maria, a vida sempre pareceu uma linha contínua entre o nascimento e a morte. Mas sua trajetória foi drasticamente interrompida ao ser presa e torturada durante a ditadura no Brasil. A decisão de ingressar na luta armada contra a opressão do regime exigiu a renúncia dos seus sonhos pessoais em nome de um ideal maior e coletivo.

Marcado por idealismo e disrupção, o percurso da protagonista conduz a trama de O voo da locomotiva, 82º livro de Frei Betto, autor de Batismo de sangueTom vermelho do verde, e muitos outros clássicos da literatura nacional. Neste romance histórico, um relato autobiográfico, narrado em primeira pessoa, acompanhamos a experiência da personagem na clandestinidade, e também as privações enfrentadas ao longo do cárcere nos porões da ditadura.

De origem humilde, Rosa Maria é a primeira pessoa da família que consegue ingressar em uma universidade. Com isso, aprende a transitar por dois mundos bem distintos e passa a vislumbrar a possibilidade de proporcionar um futuro melhor para o filho. No entanto, a crise no casamento e a realidade sombria dos anos de chumbo fizeram-na sair de sua zona de conforto para ingressar na luta armada.

Ao se aproximar da militância política, Rosa Maria abandona a antiga identidade e transforma-se, primeiro em Luzia, e depois em Tânia Vasconcelos Ramos. Entre treinamentos, estratégias de guerrilha e estudos marxistas, deixa para trás marido e filho, além do seu antigo eu, para assumir integralmente o compromisso revolucionário.

Em O voo da locomotiva, Frei Betto lida com a realidade em tempos de barbárie. Preso duas vezes durante a ditadura militar brasileira por sua ligação com grupos de oposição ao regime, o autor mobiliza sua experiência direta para narrar os mecanismos da repressão e os dilemas de quem escolhe lutar contra ela.

 

SOBRE O AUTOR 

Doutor honoris causa em Filosofia pela Universidade de Havana, Frei Betto estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. É frade dominicano, escritor e cronista. Conquistou alguns dos mais importantes prêmios literários brasileiros, como o Jabuti de 1982, por Batismo de Sangue (Rocco). No mesmo ano, foi eleito Intelectual do Ano pela União Brasileira de Escritores, que também lhe concedeu, em 1985, o prêmio Juca Pato pelo livro Fidel e a religião. Dele, a Rocco publicou Paraíso perdido, Calendário do poder, A mosca azul, Hotel Brasil, Aldeia do silêncio, Minas do Ouro, A arte de semear estrelas, Um homem chamado Jesus, Começo, meio e fim e Ofício de escrever.

Atuou como assessor especial da Presidência da República e coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero, durante os anos de 2003 e 2004. É assessor de movimentos sociais e educador popular. 

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