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Lançamento: Na beirada, de Bruna Maia

Cassandra é uma mulher que embaça as fronteiras entre a sanidade e a loucura. Ela está na beira, aquela linha tênue que separa dois polos vistos muitas vezes como opostos. Seu nome é inspirado na trágica figura da mitologia grega, abençoada com o dom profético de enxergar a verdade, mas ao mesmo tempo amaldiçoada porque ninguém acredita no que diz.

Assim como a personagem mitológica, a protagonista de Na beirada, segundo romance de Bruna Maia publicado pela Rocco, também carrega consigo uma percepção aguçada da realidade, frequentemente identificada como loucura. Neste thriller incômodo e singular, a trama acompanha a história de uma programadora reclusa e emocionalmente instável, que preenche seus dias correndo pelas ruas do bairro, xeretando as conversas da vizinha e tendo encontros sexuais casuais.

Até que, movida pela repercussão de um crime brutal, Cassandra decide prestar concurso para investigadora da Polícia Civil, o que marca o início de uma espiral de dissociação, ansiedade e violência. Em Na beirada, Bruna faz uma imersão nos universos da psiquiatria e da investigação criminal a fim de questionar o estigma que acompanha qualquer desvio do comportamento socialmente esperado. Ao longo do livro, realidade e paranoia começam a se fundir à medida que Cassandra mergulha nas crises e nas lembranças de episódios violentos sofridos na infância.

Em Com todo o meu rancor (Rocco, 2022), Bruna mostrou que sabe o que fazer com a raiva feminina. Aqui, somos conduzidos a uma espécie de zona cinzenta. Isso porque a narrativa muitas vezes se dá na perspectiva dos estados mentais da protagonista, trazendo à tona uma pergunta crucial: E se isso que as pessoas chamam de loucura é, na verdade, reação ao patriarcado?

 

SOBRE A AUTORA

Bruna Maia é jornalista, cartunista e escritora. Gaúcha, viveu por quase catorze anos em São Paulo e hoje mora no Rio de Janeiro. Em Com todo o meu rancor (Rocco, 2022), seu primeiro romance, transformou a fúria feminina em método. É autora do quadrinho Parece que piorou (Companhia das Letras, 2020) e do ensaio-reportagem Não quero ter filhos — e ninguém tem nada com isso (Nacional, 2023). Assina a coluna X de Sexo, no F5, da Folha de S.Paulo. Acredita que a ficção serve para reagir de forma brutal às violências do patriarcado. Gosta do mar, de gatos e de livros de “mulheres malucas”. Em geral, elas estão certas (mas errar faz parte). Defende o aborto seguro, legal, gratuito e sem estigma.

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