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Bete Coelho e Camila Pitanga estreiam “Lia Lia” no Centro Cultural FIESP

Juntas pela primeira vez nos palcos, Bete Coelho e Camila Pitanga apresentam o espetáculo Lia Lia em São Paulo, no Centro Cultural FIESP, a partir do dia 24 de julho. A trama existencial da companhia Teatrofilme é uma adaptação do romance de Caetano Galindo e já passou por Sorocaba, Ribeirão Preto, Itapetininga, São José dos Campos, Rio Claro e Campinas – onde pode ser vista de 9 a 19 de julho. Com direção de arte de Daniela Thomas, a montagem conta ainda com Roberto AudioLaís Lacôrte Lindsay Castro Lima no elenco, além do coro cênico. Codirigida por Gabriel Fernandes e pela própria Bete, a peça segue em cartaz em curta temporada na cidade até o dia 9 de agosto, com entrada gratuita.

Lia Lia é uma adaptação do livro Lia: Cem vistas do Monte Fuji (Companhia das Letras, 2024), de Caetano W. Galindo, primeiro romance de ficção do autor, que já tem uma série de trabalhos com a Teatrofilme, como Molly — Bloom (2022) e Ana Lívia (2023). A proposta de Galindo, inspirada nas Cem vistas do Monte Fuji, série de gravuras do artista japonês Katsushika Hokusai, desafia convenções narrativas e explora a complexidade da identidade humana, fazendo com que as percepções sobre a personagem sejam construídas a partir de um quebra-cabeças emocional e sensorial.

A obra foi adaptada para o teatro pela própria Bete Coelho, em um trabalho de criação conjunta com os integrantes da companhia e que conta com textos inéditos do autor, trechos não publicados na edição original do livro. “O elenco tomou posse do texto e essa é a melhor maneira de fazer uma adaptação com brilho. Foram capazes de entender os detalhes da estrutura literária e traduzir isto para o teatro, a partir de fragmentos de um livro que já é composto por fragmentos. Assim, a visão estritamente dramática de uma companhia que domina com perfeição os elementos da linguagem teatral traz ao público uma obra nova e, por isso mesmo, ainda mais preciosa”, apresenta o autor Caetano Galindo.

Lia, interpretada por Bete e por Camila, é uma personagem marcada pela complexidade e pela recusa a uma identidade fixa ou facilmente definível. Ela surge para o espectador em diferentes fases da vida, estados de espírito e contextos afetivos, revelando contradições, fragilidades, forças. E, com este processo, vem a reflexão sobre a natureza humana e a nossa própria existência. “Estamos muito felizes de como conseguimos transpor para o teatro a beleza e a grandiosidade desta obra. São personagens muito bem delineadas e uma trama concebida de uma forma autoral, ousada e absolutamente contemporânea, que nos permite expressar diversos elementos das gramáticas teatral e cinematográfica”, afirma Bete Coelho.

Como a mais nova integrante da companhia, Camila Pitanga celebra: “Fazer parte da Teatrofilme é a realização de um desejo acalentado há muitos anos: contracenar com Bete Coelho. A Bete é uma atriz que me emociona e uma diretora que me inspira preciosos novos caminhos. É um sonho viver a paixão em comum que temos pelo teatro, esse ofício em que a gente se coloca por inteiro. Me sinto provocada, desafiada e, ao mesmo tempo, muito acolhida. Embarquei na poética e no fazer teatral da companhia, numa união de forças, pois temos histórias que, diferentes, são muito complementares”.

Vários elementos conceituais da Teatrofilme estão presentes nesta montagem, como a celebração do fazer teatral; a força do protagonismo feminino; o uso de elementos da linguagem cinematográfica (neste caso, os cortes e a livre edição de cenas); a água como elemento estrutural, universal e de transição; a decisão de ir até o público, contribuindo para ampliar e formar plateia, artistas e profissionais de teatro; e a ruptura com as narrativas tradicionais. “Narrativas não-lineares têm composto nosso repertório desde sempre, como esta construção inquietante e desafiadora proposta por Galindo: recortes da vida apresentados como uma sucessão de momentos que se interligam. E isto está na essência da arte cinematográfica e no trabalho de outros escritores, como James Joyce”, bem observa Gabriel Fernandes.

Interligações sugeridas pelo emaranhado de fios, linhas que costuram rasgos da vida, um dos elementos principais da cenografia criada a partir da visão artística de Daniela Thomas, que ganha ainda mais relevo e dinâmica com a luz desenhada por Beto Bruel. O figurino é de Renata Correa, que criou também para Petra, da Teatrofilme, em 2024.

Ao longo de sua temporada, o espetáculo Lia Lia contou com a participação de alunas do Núcleo de Artes Cênicas – NAC, do Sesi-SP, polo de excelência em formação e criação teatral, com acesso gratuito, que democratiza o acesso às artes cênicas e revela talentos por meio de processos pedagógicos rigorosos e experiências artísticas de alto nível. A cada cidade, duas novas alunas do NAC participaram do coro cênico desta montagem, recurso dos diretores que amplia a dimensão simbólica da narrativa. “Como vozes coletivas que ecoam, direcionam, tensionam e contrapõem significados, o coro contribui para dar ritmo e atmosfera a algumas cenas, articulando palavras, sons, expressões e movimentos de corpo que fortalecem a potência narrativa e sensorial do espetáculo”, observa Lindsay Castro Lima.

Um coro que espelha – ou mesmo ironiza! – pensamentos, anseios e receios do público, do autor e da própria protagonista, Lia, que, de forma inteligente, sensível e muitas vezes introspectiva, reflete o mundo enquanto age nele, deixando transparecer inquietações, relações de amor e indiferença, além de pausas e silêncios tão significativos quanto suas palavras. Mais do que uma protagonista tradicional, Lia é um conjunto de sensações, devaneios e ausências, cuja essência só se forma no acúmulo das múltiplas percepções que se tem ao longo do espetáculo. E, talvez, nem aí.

“Lia Lia é um espetáculo criado para acalentar a alma: uma encenação generosa e acolhedora que abraça o público por meio do que há de mais sensível e essencial no teatro — a presença. Investir no espetáculo Lia Lia é honrar o compromisso do SESI-SP com o fomento à arte e à cultura no estado de São Paulo, ao mesmo tempo em que reafirma seu papel formativo ao oferecer às alunas e ex-alunas dos Núcleos de Artes Cênicas (NAC) a oportunidade de participar integralmente do processo de criação de um espetáculo desta relevância e dimensão. Trata-se de uma proposta completa, que prioriza a circulação pelos teatros do SESI no interior do estado, ampliando o acesso e fortalecendo a difusão cultural, configurando-se como uma importante oportunidade de formação, desenvolvimento artístico e encontro sensível entre artistas e público”, afirma Anna Polistchuk, Analista de Atividades Culturais do SESI-SP.

Sinopse

Lia Lia, nova produção da Teatrofilme, é um álbum de retratos, coleção de fotos soltas numa caixa empoeirada. O que lhe dá sentido, e ordem, é apenas a pessoa que viveu. É assim que vamos conhecer Lia, que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas, marcas e relances. Um quebra-cabeça cênico que se forma e se conecta quase aleatoriamente para revelar aos poucos a personagem interpretada pelas atrizes Bete Coelho e Camila Pitanga. Lia vai sendo construída e apresentada em momentos marcantes ou banais, em situações e lugares diversos, detalhando memórias, sensações e sentimentos, vivenciados principalmente por ela, mas não só. Lia vê o mundo e é vista por ele: a experiência é mútua e complementar. As pessoas que a veem e que com ela se relacionam ora narram, ora participam de sua vida, ajudam a traduzir por meio de Lia e na companhia dessa mulher aparentemente comum, a pura, simples e imensa complexidade de existir.

Teatrofilme

Companhia teatral brasileira fundada em 2009, a partir da montagem do espetáculo O Homem da Tarja Preta (de Contardo Calligaris), sempre guiada por um compromisso profundo com a coletividade, o fazer em conjunto e o amor ao teatro como linguagem essencial para discutir questões humanas e sociais. Tendo como força basal o trabalho de ator e a centralidade da dramaturgia apoiada por elementos da linguagem cinematográfica, a companhia consolidou um repertório reconhecido por sua consistência e relevância, que inclui também O Terceiro Sinal (de Otavio Frias Filho, 2010); Cartas de Amor para Stalin (de Juan Mayorga, 2011); Mãe Coragem (de Bertolt Brecht, 2019); Medeia (de Consuelo de Castro, 2021); Gaivota(de Anton Tchékhov, 2021); Molly—Bloom(monólogo final de Ulysses, de James Joyce, 2022); Ana Lívia (de Caetano Galindo, 2023) e Petra (de Rainer Werner Fassbinder, 2024), mesclando dramaturgia contemporânea e performances intensas que reafirmam seu compromisso com a experimentação estética e a reflexão sobre temas essenciais.

Lia Lia

Peça de Teatro, com Bete Coelho, Camila Pitanga e elenco

Gênero: Trama existencial

Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

@teatrofilme

As sessões das sexta-feiras têm tradução em Libras

Local: Centro Cultural FIESP | Avenida Paulista, 1313, São Paulo – SP (em frente à estação Trianon-Masp da Linha 2 Verde do Metrô)

Data e horário: de 24 de julho a 9 de agosto. Quarta a sábado, às 20h; domingos, às 18h

Informações: (11) 3322-0050

Entrada gratuita – reservas de ingressos no site Meu Sesi, a partir de 20/07 (primeira semana), 27/07 (segunda semana) e 03/08(terceira semana).

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