Ódio ao diferente e polarização social pautam novo estudo sobre comportamento coletivo

O aumento dos discursos de intolerância e a radicalização de debates públicos estão entre os fenômenos que motivam a reflexão proposta no livro “Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo”. A obra, escrita pelo psicanalista Marcio Garrit e publicada pela Editora Pangeia, investiga como grupos sociais criam formas de estimular a rejeição ao diferente.
Com base na psicanálise e em estudos sobre comportamento das massas, o autor demonstra que a formação de identidades coletivas frequentemente depende da criação de barreiras entre “nós” e “eles”. Esse processo contribui para a consolidação de sentimentos de pertencimento, mas também pode favorecer manifestações de hostilidade e exclusão.
Um dos exemplos apresentados no livro é o famoso experimento conduzido pelo artista Flávio de Carvalho, em São Paulo, durante uma procissão religiosa na década de 1930. Ao desafiar uma convenção social considerada obrigatória naquele contexto, o pesquisador provocou reações de agressividade coletiva que ilustram a dificuldade das massas em lidar com comportamentos percebidos como desviantes.
“O diferente costuma funcionar como uma ameaça imaginária para grupos fortemente identificados entre si. A eliminação simbólica desse outro aparece como uma forma de reafirmação da própria identidade coletiva”, afirma o autor de “Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo”.
Segundo a obra, esse mecanismo permanece ativo na contemporaneidade e encontra terreno fértil no ambiente digital. Redes sociais e plataformas de comunicação ampliam a circulação de discursos que reforçam antagonismos, simplificam conflitos complexos e incentivam a construção de adversários permanentes. “O ódio coletivo raramente nasce do acaso. Ele se organiza por meio de narrativas compartilhadas que transformam diferenças em perigos e convertem indivíduos comuns em representantes de tudo aquilo que o grupo rejeita”, finaliza.

Sobre o autor:
Marcio Garrit é psicanalista, professor e pesquisador. Doutor em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e mestre em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela UVA/RJ, dedica-se aos impasses contemporâneos da clínica e do laço social, com ênfase nas relações entre psicanálise, cultura е digitalidades. É professor do CEFAS (Campinas/SP), o membro da Sociedade de Psicanalise Iracy Doyle (SPID/RJ) e criador do projeto Psi(em)CENA.
Serviço:
Livro: Ilusão Coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo
Autor: Marcio Garrit (@marciogarrit)
Editora: Pangeia
Disponível para compra através do link