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Eu já estive no SP2B — e saí da Oca pensando em como as marcas serão escolhidas no futuro

Hoje foi dia de conhecer o SP2B e, entre os muitos espaços ocupados pelo Parque do Ibirapuera, a Oca foi o lugar que mais marcou a minha experiência.

Foi lá que assisti à palestra de Paula Tempelaars, que falou sobre uma combinação que, à primeira vista, parece improvável: neurociência e inteligência artificial.

E talvez tenha sido justamente essa mistura que me prendeu tanto.

Paula começou contando um pouco da própria trajetória. Arquiteta de formação, ela foi buscar na neurociência respostas para entender como o cérebro humano processa os espaços e, a partir daí, acabou chegando ao neuromarketing e, posteriormente, à inteligência artificial.

A provocação central da palestra foi muito interessante: as marcas agora precisam aprender a conversar com dois intérpretes — o cérebro humano e a inteligência artificial.

Parece complicado, mas a ideia é bastante simples.

Antes, quando queríamos comprar alguma coisa, íamos ao Google, pesquisávamos, abríamos alguns links e fazíamos nossas próprias comparações.

Agora, muitas vezes, fazemos uma pergunta para uma IA e ela nos entrega uma resposta pronta, já filtrada.

A primeira resposta passou a ocupar um espaço enorme na nossa jornada de decisão.

Mas existe uma questão importante: a IA pode até recomendar uma marca. Quem vai confiar nela, lembrar dela e escolher comprá-la continua sendo o ser humano.

E foi aí que a palestra começou a fazer ainda mais sentido para mim.

Paula mostrou como o nosso cérebro trabalha com atenção, emoção, memória, associações e confiança. E como, para a inteligência artificial, entram outros elementos, como autoridade, relevância, consistência e aquilo que outras pessoas dizem sobre uma marca.

Uma coisa, porém, aproxima os dois: eles precisam de sinais para considerar alguma coisa relevante.

Isso me fez pensar bastante sobre reputação.

Uma marca não pode simplesmente dizer que é inovadora, confiável ou referência. Ela precisa construir evidências disso. Precisa aparecer em diferentes lugares, ser mencionada por outras pessoas, ter histórias para contar e manter consistência na maneira como se apresenta.

E talvez essa seja uma das grandes mudanças que a inteligência artificial está provocando: não basta mais estar na internet. É preciso construir uma presença digital coerente o suficiente para ser compreendida pelas máquinas — e uma marca relevante o suficiente para ser lembrada pelas pessoas.

Saí da Oca com outra provocação da Paula na cabeça: quanto mais fácil fica produzir conteúdo com IA, maior é o risco de todo mundo começar a parecer igual.

E aí entram justamente aquilo que é nosso: repertório, experiência, senso crítico, memória, referências e capacidade de fazer conexões.

No final, talvez o futuro das marcas esteja justamente nesse equilíbrio.

Ser encontrada pela inteligência artificial.

Ser recomendada por ela.

Mas continuar fazendo sentido para quem está do outro lado da tela.

Janaína Leme

Sócia e Head de PR da Sing Comunicação. Profissional de comunicação e relações públicas com experiência em estratégia de imprensa, reputação, liderança e comunicação para empresas de tecnologia e inovação no Brasil e na América Latina. Também produz conteúdo sobre liderança, comportamento, cultura, livros, viagens e sociedade no Eu Já Estive Em.

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