Pular para o conteúdo

Eu Já Estive Em “Chá e Catástrofe, no Teatro João Caetano

Hoje foi dia de conferir a peça “Chá e Catástrofe”, no Teatro João Caetano. Você, com certeza, se identificaria com algumas das citaçoes de Vi, Lena e Sally durante o chá da tarde, que tinha perfis bem curiosos: medo compulsivo de gatos, o apego pelo trabalho e por segurar o celular todo o tempo, e alguns anos na prisão por matar o marido… em legítima defesa.

Mas o problema mesmo  é se você se identificar com alguma das visões apocalípticas, como pedras caindo do céu e atingindo a cabeça das crianças, vento que fazia pets sobrevoarem a sua cabeça e até pessoas que comem digitalmente.

Chá e Catástrofe teve sua ultima apresentação nesse domingo, lá no Teatro João Caetano. Vale ficar de olho se haverá novas temporadas, seguir o trabalho das atrizes Clarisse Abujamra, Selma Egrei, Chris Couto e Agnes Zuliani, além de conferir as outras peças em cartaz no Teatro que fica na Vila Clementino, zona sul de São Paulo.

Abaixo o conteúdo que já haviamos publicado sobre a peça!

Janaina Leme

@eujaestiveem

___

Chá e Catástrofe é uma comédia dramática que se passa num quintal inglês onde quatro senhoras falam sobre o cotidiano. As conversas bem-humoradas são entrecortadas por visões apocalípticas que envolvem crimes ambientais, guerras químicas, fome e excessos humanos. Em cartaz no Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, nº 650, Vila Clementino) até 16 de junho, a peça tem no elenco Clarisse Abujamra, Selma Egrei, Chris Couto e Agnes Zuliani, tradução e idealização de Eliana Rocha e direção de Regina Galdino. O projeto foi contemplado na 7ª edição do Prêmio Zé Renato de Apoio à Produção e Desenvolvimento da Atividade Teatral para a Cidade de São Paulo.

A montagem original de Churchill, considerada a mais importante dramaturga inglesa viva, estreou há três anos no The Royal Court Theatre, em Londres, com o título de Escaped Alone. Seu texto curto, minimalista e antiutópico traz uma análise da paranoia do mundo sob o ponto de vista de uma geração de mulheres que precedeu o Facebook e o iPhone, desnudando o isolamento das pessoas na sociedade moderna e a estupidez das agressões ecológicas provocadas pelo capitalismo. As proféticas tragédias, embora surrealistas, remetem facilmente à realidade da vida contemporânea.

A história se passa durante o chá da tarde de Vi (Selma Egrei), Lena (Chris Couto) e Sally (Agnes Zuliani), quando são surpreendidas pela intrusa e misteriosa Sra. Jarrett (Clarisse Abujamra), que entra no quintal por uma abertura na cerca. Nesse prosaico encontro serão reveladas, com ironia, as dificuldades de comunicação e a solidão, além dos dramas de mulheres mais velhas, entremeados por visões ambientais catastróficas. Enquanto uma mulher revela seu segredo, que envolve o marido e uma faca de cozinha, outra desfia suas inúmeras razões para ter medo de gatos e outra mostra o bloqueio da depressão: o impacto disso sobre outras mulheres, suas filhas e netas, pode ser transformador. Apesar da ameaça perturbadora, naquele quintalzinho bucólico, elas desafiam com humor a escuridão do mundo lá fora.

A epígrafe do texto, “Só eu escapei para te trazer a nova”, citação do Livro de Jó e de Moby Dick, é umas das chaves do espetáculo, segundo a diretora Regina Galdino. “Poderemos observar a dimensão claustrofóbica do cotidiano de três vizinhas pelo contraste com as visões extraordinárias de uma mensageira, uma sobrevivente. O texto é muito moderno, extremamente entrecortado, tanto em seus diálogos quanto nos solilóquios apocalípticos, trazendo a musicalidade de diálogos pós-modernos e estabelecendo momentos muito divertidos e tocantes, que acentuam a incomunicabilidade dessas mulheres”, afirma a diretora.

Ainda pouco conhecida no Brasil, apesar de seus 80 anos de vida e dos numerosos prêmios internacionais, Caryl Churchill acumula uma lista volumosa de sucessos no teatro: com 59 anos de carreira, escreveu mais de 30 peças, além de adaptações e peças radiofônicas. Segundo o dramaturgo alemão Marius von Mayerburg, “Churchill mudou a linguagem do teatro”, um elogio que só os grandes autores já receberam, entre eles Shakespeare, Tchecov, Ibsen, Brecht e Beckett. Contemporânea de Harold Pinter, sua dramaturgia lida com temas feministas, abusos de poder e o vazio do mundo atual. Suas obras Top Girls, Cloud Nine, Serious Money, A Number e Far Way foram marcos da cultura inglesa moderna, abordando assuntos tão diversos como a clonagem, o sexismo, os impulsos de possuir e destruir, o capitalismo e a guerra. Sua escrita é lúdica, séria, engr açada, teatral, ousada, inovadora, poética, política, não naturalista e surreal. “A questão não é como Caryl Churchill influenciou a dramaturgia feminina, mas sim se há dramaturgo contemporâneo, homem ou mulher, que não tenha sido influenciado por sua obra”, escreveu a dramaturga April de Angelis para The Guardian.

Eliana Rocha, tradutora e idealizadora do projeto, conta por que se interessou pelo texto: “Em 2016, eu procurava conhecer novas peças de teatro e me deparei com essa joia da dramaturgia inglesa. O que me chamou a atenção foi o fato de Caryl ter escrito para quatro mulheres mais velhas. Comecei a ler e vi que a escrita vinha numa linguagem teatral muito contemporânea. Ela fala mais em quatro palavras do que outros dramaturgos dizem em quatro parágrafos. Frases entrecortadas ou sobrepostas, um pensamento que não se completa. Mas, quando li o primeiro monólogo da Sra. Jarrett, vi que aquela peça ia muito além de uma conversinha doméstica entre quatro amigas. O apocalipse não estava num futuro remoto. Sua presença já era visível no presente. Está à nossa volta. E, apesar de tudo isso, havia humor ali”.

A temporada de Chá e Catástrofe no Teatro João Caetano vai até o dia 16 de junho, aos sábados às 21h e domingos às 19h.

Ficha Técnica
Autora: Caryl Churchill. Tradução e idealização: Eliana Rocha. Elenco: Clarisse Abujamra, Selma Egrei, Chris Couto e Agnes Zuliani. Direção: Regina Galdino. Trilha Sonora: George Freire e Daniel Grajew. Figurino: Eliana Rocha. Iluminação e Cenografia: Regina Galdino. Assistência de Direção: Agnes Zuliani. Operação de Luz e Som: Márcio Lima. Camareira e contrarregra: Elisa Galdino. Assessoria de Imprensa: Júlia Ramos. Mídias Sociais: Julia Ramos e Andréa Bassitt. Fotos: João Caldas Filho. Programação Visual: Vicka Suarez. Imagem do telão cenográfico: Chema Madoz. Direção de Produção: Andréa Bassitt. Realização: Scena Produções Artísticas, Prêmio Zé Renato de Teatro e Secretaria Municipal de Cultura.

Serviço

Chá e Catástrofe
Temporada: 01 a 16 de junho
Horários: sábados às 21h e domingos às 19h
Local: Teatro João Caetano
End.: Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, SP
Duração: 60 minutos.
Gênero: comédia dramática.
Classificação: 14 anos.
Lotação: 436 lugares.
Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)
Telefone:  11 5573-3774
Bilheteria:  abre uma hora antes do início do espetáculo e não há venda pela internet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: