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Eu Já Estive Em “Mulheres de Minha Alma”

“As Mulheres de Minha Alma”, de Isabel Allende, foi meu primeiro contato com a escritora, um dos grandes ícones da literatura.
Na obra, a autora chilena convida todos a acompanhá-la em uma viagem pessoal e emocional em que relembra seus vínculos com o feminismo desde a infância, até hoje.

Quando questionada sobre em que consiste o seu feminismo, Isabel responde: não é o que temos entre as pernas, mas sim entre as duas orelhas.

Ela fala sobre mulheres imprescindíveis em sua vida como a mãe, Panchita, a filha Paula e a agente Carmen Balcells.

Também cita escritoras relevantes, mulheres anônimas que sofreram violência e com muita coragem seguiram em frente. Entre alguns nomes está o da ativista Stephanie Sinclair, que dedicou boa parte de sua vida a documentar com fotografias meninas casadas à força com homens que poderiam ser seus pais ou avôs, assim como outras que engravidaram ainda mesmo na puberdade. O movimento #metoo também é citado na obra, assim como a pandemia de Covid-19.

Isabel relembra que sua mãe estava em desvantagem com relação aos homens da família desde cedo. Panchita se casou contra a vontade dos pais, o relacionamento não deu certo e ela anulara o casamento, única opção disponível, já que o divórcio só foi legalizado em 2004. Mesmo assim, tempos depois, assumiu o papel de esposa dominada porque sentia-se incapaz de criar os filhos sozinha. Ser mantida e protegida tinha um custo inevitável.

Isabel usa o termo velha propositalmente quando se refere a ela, porque tem orgulho de ser. “Cada ano vivido e cada ruga contam a minha história”, sinaliza a autora. E lembra que sua mãe dizia que as únicas coisas de que nos arrependemos na vida são os pecados que não cometemos e as coisas que não compramos.

Ela também destaca que, segundo Gerald G. Jampolsky, famoso psiquiatra e autor de mais de vinte best-sellers sobre psicologia e filosofia, a aptidão para ser feliz é influenciada em 45% por genes e em 15% pelas circunstâncias, o que significa que os 40% restantes é cada um de nós que determina de acordo com as crenças e atitudes perante a vida.

Mas afinal o que as mulheres querem? Segurança, serem valorizadas, viver em paz, dispor de recurso próprio, estar conectada e, sobretudo, amor.

Para finalizar, entre os pontos que mais me marcaram no livro estão o relacionamento de Isabel Allende com o seu avô, que mesmo machista a amava muito e fez com que ela aprendesse a ter esse segundo olhar do patriarcado na família; também adorei o amor dela por ela mesma, que mesmo por ter perdido uma filha, por ter passado por dois casamentos, encontra amor aos 75 anos e está aí firme e forte em seu terceiro casamento. Ou seja, exigir direito pelas mulheres, não é brigar contra o mundo. É sim encontrar pessoas que já conseguem enxergar a todos como seres humanos que lutam por direitos iguais.

Virei fã de Isabel Allende e lerei mais. “Mulheres de Minha Alma” tem 181 páginas, foi publicado Betrand Brasil e está disponível no formato impresso e digital.

Janaína Leme
@eujaestiveem

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