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Entrevista: André Garcia conta porque o humor é provocação em seu livro

Aos 35 anos, o escritor e fanzineiro André Garcia, de Cabo Frio (RJ), acaba de lançar o livro Liber IMP, uma série de 90 contos cômicos para “tirar o leitor da zona de conforto”, segundo palavras do próprio autor. E já na capa, André Garcia usa uma tarja preta para alertar aos desavisados que o livro não é recomendado para quem tem preguiça de pensar. “As coisas estão ali para serem interpretadas”, diz André, que bebeu na fonte de Casseta & Planeta, TV Pirata e dos ácidos South Park e Monty Python para se inspirar. Em entrevista, o escritor fala dos insights que teve na produção de Liber IMP; o porquê desse nome, no mínimo, intrigante; da irreverência do livro, que é uma autopublicação; e da importância do humor.

Quando surgiu a ideia de escrever o livro?
Surgiu em outubro de 2019, mas a semente já tinha sido plantada lá atrás, há 20 anos, quando eu
comecei a escrever poesias e contos. Eu fiz diversos projetos, várias produções culturais nesses
anos, mas coisas que acabavam morrendo na praia, ou eu desistia, abandonava ou não
acontecia. O tempo passou. E então, em outubro de 2019 eu resolvi realmente escrever um livro,
fazer um projeto, levar algo até o fim, publicar oficialmente, enfim, ter alguma obra. Àquela altura
eu já estava há algum tempo querendo escrever, mas sem ter ideia, sem saber o que escrever.
Então eu só comecei a pegar textos inacabados, finalizá-los, e fui descobrindo no meio do
caminho o que eu estava escrevendo. E fui buscando unir dois caminhos, que eram tanto de fazer
experimentações de coisas malucas, diferentes, que não caberiam num livro normal, e usar a bagagem de todos esses projetos, de todas essas produções artísticas pregressas que eu tive.

Qual o porquê do nome Liber IMP?
Em outubro de 2019, quando eu concebi o livro, essa ideia na minha cabeça tinha o nome
provisório de IMP. Depois, já em agosto de 2020, quando o livro começou a ganhar forma na
minha cabeça, me ocorreu de acrescentar esse nome, Liber. Mas Liber IMP é um nome aberto a
interpretações. O leitor vai encontrar no livro algumas indicações e sugestões do que pode
significar Liber IMP, mas no final das contas vai caber a cada leitor ser o juiz e determinar na
leitura dele o que é Liber IMP. E essa ambiguidade do nome acaba também representando a
ambiguidade do conteúdo, das histórias. Esses contos não entregam conclusões mastigadas para o leitor. As coisas estão ali para serem interpretadas. Então, é preciso que o leitor pense, tire suas
próprias conclusões. É uma forma de cativar o leitor.

Por que escrever um livro de contos cômicos?
Eu comecei a escrever contos em 2007, e desde então escrevi vários. De todas as coisas que
experimentei fazer no campo da arte, a literatura, a escrita de ficção, através de textos curtos,
sempre foi onde eu me senti mais confortável, onde percebi que produzia resultados mais
interessantes. Então, quando tive o desejo de criar, de fazer um livro, para mim foi bem óbvia a
escolha pelos contos de humor porque a forma como eu penso, minhas lógicas mentais têm um
senso de humor que é muito natural. Para mim é mais fácil escrever uma história cômica do que
redigir um texto que não seja engraçado. E outro motivo da escolha por contos é que hoje em dia
as pessoas têm cada vez menos tempo para dedicar à leitura; então, escrever histórias curtas
tornam o livro mais atrativo para o leitor.

Que tipo de situações são abordadas nos contos?
Todo mundo tem seu mundo interior, e a maioria das pessoas cresce protegendo esse universo
com vergonha, com medo de expor as outras pessoas. Ao escrever o livro, eu expus esse meu
mundo interior ao leitor de forma nua e crua. Nesses contos eu expresso a forma como vejo e
percebo o mundo ao meu redor, a minha vida, em histórias que unem quatro pilares, que são: o
autobiográfico; a crônica, os textos sobre a vida cotidiana, o nosso dia a dia; a fantasia, o mundo
de super heróis, de monstros; e o mundo surreal, do absurdo, além da ficção científica, máquinas
fantásticas como alegorias e metáforas para refletir e trazer à tona coisas do nosso mundo real.

Qual sensação você quer provocar no leitor?
A principal sensação é tirar da zona de conforto, provocar o leitor com algo diferente, que quebre
as expectativas sendo um livro que você vira a página e parece que entrou num outro livro. E,
consequentemente, o desejo de despertar no leitor o sentimento dele ter lido algo único. Além
disso, quero provocar a admiração pelo design da capa, da contracapa, que formam um jornal
falando sobre o próprio livro, e que o leitor admire o cuidado, o zelo e atenção dada na
diagramação, que foi feita por mim mesmo. Esse livro é uma autopublicação e, modéstia parte,
tem um trabalho de diagramação muito bem feito. E um sentimento de clube também, porque eu
sou da época que se fazia livro na escola descobrindo que a pessoa gostava do mesmo jogo de
videogame que você. Então, esse livro tem várias referências que vão fazer quem entender se
sentir assim, parte do clube. E espero que o livro provoque nas pessoas um incentivo a produzir, a
criar coisas e, assim como eu, compartilhar seus mundos interiores para outras pessoas.

Se o seu humor é autobiográfico, quais traços do seu DNA o leitor encontrará no livro?
Meus amigos mais próximos que leram o livro disseram que ele é muito a minha cara, meu senso
de humor, a minha forma de enxergar as coisas. E eu penso que as pessoas que me conhecem
talvez leiam o livro e se surpreendam por conhecer o meu eu que meus amigos mais próximos
conhecem, mas outras pessoas não. E quem não me conhece pode ler o livro e achar que eu sou
totalmente diferente. É que eu derramei nesse livro coisas muito íntimas, muito pessoais, até
contrariando a recomendação de pessoas próximas a mim que falavam que eu não deveria me
expor tanto. Mas eu tive do começo ao fim uma convicção muito grande de que o livro só
funcionaria se eu não me deixasse levar pela insegurança, pelo medo de achar que as pessoas
não iriam entender, de que não iriam gostar, e se fizesse como eu realmente acreditava que
deveria ser feito. Acho que é por isso que o resultado desse livro me agrada tanto.

O público pode conferir aqui uma amostra grátis com as primeiras 25 páginas de Liber IMP. Na
pré-venda do livro, André Garcia distribuiu LP’s de sua coleção como brindes para os primeiros
leitores. Liber IMP pode ser adquirido diretamente com o autor, por direct no Instagram @agx138.

Nascido e criado em Cabo Frio, André Garcia tem 35 anos e, além de escritor, é funcionário
público e fanzineiro. Teve contato com o universo cultural também através do teatro, e, por isso,
escreveu alguns dos contos de Liber IMP no formato de especialmente de nomes como Beatles e David Bowie.

Ficha técnica
Livro Liber IMP – Autor: André Garcia
90 contos divididos em 9 capítulos, 444 páginas, tiragem inicial de 600 exemplares.
Editora Clube de Autores. Humor, comédia, cultura nerd. Publicação independente.

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