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Eu Já Estive Em “Clube do Abacate”, de Mariana Torres

Você cresce em uma família que a todo tempo te mostra uma realidade, mas, com a chegada da adolescência, você percebe que tudo o que sua família te apresentou como vida perfeita pode ter duas interpretações. E aí você faz o que? Vai buscar formas de entender o que realmente acontece ao seu redor, ou vai acreditar em tudo o que sua família te disse até hoje, afinal de contas é aqui que estão as pessoas que são suas maiores referências?

Sim, o assunto é bem complexo e foi com esse tema que nos deparamos a ler Clube do Abacate, a primeira obra literária de Mariana Torres. A história dos irmãos Juju e Deco foi debatida durante dois encontros, um deles, inclusive, com a presença da autora.

Mariana toca em muitos assuntos em uma única obra: primeiro beijo, a competição entre amigos e irmãos, a busca pela atenção dos pais, o relacionamento com os avós, relacionamento, aquela tia que é mal vista pela família porque decidiu ter a vida que quis, racismo, machismo, homossexualidade, as festas e as discussões entre garotos e garotas, enfim, é uma quantidade gigantesca mesmo de temas. Mas, o ponto é: sim, todos eles estão permeando a cabeça das crianças e dos adolescentes, mas acredito que muitas das vezes os pais não se dão conta da complexidade de tudo isso para eles e fazem da sua verdade, a verdade das próximas gerações. Ou seja, a vida é um pouco mais complexa do que um filme da Sessão da Tarde.

A autora tem 33 anos, um filho de 2 anos e está grávida do segundo. Ela vem de um caminho não tradicional para o mundo dos livros. Fez Direito, Administração de Empresas e um pouco antes do isolamento por conta da pandemia se viu surtada. Foi quando fez uma alta reflexão e descobriu que não era feliz fazendo o que fazia e começou a escrever.

“Começar a escrever foi muito mais parte do processo de querer mudar quem eu era, queria mudar uma história minha.Eu sou a pessoa mais presente nesse livro”, conta Mariana Torres. Clube do Abacate tem final aberto e concordamos com isso porque são temas complexos para se pensar em um único final. Segundo a autora, as personagens que ainda a rondam são as filhas do Walter, caseiro da casa do interior, onde a família passava os fins de semana. “Também deixei o fim aberto para elas porque não podiam ter um fim diferente, já que até hoje muitas famílias, por exemplo, ignoram os filhos dos caseiros˜, conta Mariana.

A sinopse do Clube do Abacate é a seguinte:

Uma irmã e um irmão. Uma casa de campo aos fins de semana. Uma família linda, rica, feliz e perfeita. Pelo menos, foi o que lhes contaram. À medida que os dois millenials começam a jornada de transição para a primeira fase da vida adulta, dão-se conta de que nem tudo é o que parece ser em seu primoroso lar. Com a perda da inocência infantil, são obrigados a enxergar certas intolerâncias dos pais e dos avós e terão de lutar (ou não) para se enquadrar nos padrões impostos por seus ascendentes. Talvez tenham de lidar com algumas situações desconfortáveis. Talvez seja a hora de tomar uma decisão em nome dos injustiçados. Mas talvez eles mesmos sejam as vitimas da família. A resposta pode estar na sua própria relação fraternal. Ou na falta dela.

Leitura indispensável para todos que pensam num amanhã um pouco mais igualitário, Clube do Abacate, de Mariana Torres, tem 190 páginas e está disponível no formato digital na Amazon por R$12,00. Assinantes do Kindle Unlimited tem acesso grátis ao livro.

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