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Eu Já Estive Em “Subterrâneo Ascensão”, de Anne C. Beker

“Se alguém não buscar pela mudança, por mudar o mundo, se todos fizermos sempre as mesmas coisas, sem questionar, o mundo não evolui”. Essa é a energia que permeia a obra “Subterrâneo Ascensão”, a primeira obra de uma trilogia escrita por Anne C. Beker.

Neste submundo onde “não fazia sentido falar em dia ou noite”, os sobreviventes de uma Terra que se tornou inóspita tentam sobrevier “vivendo em noites sem fim”. O ar se tornou venenoso para a respiração na superfície e agora, quem quiser continuar vivendo, e muitos já nem lembram mais como era a vida na Terra, precisam seguir com o pouco que tem, trabalhando e estudando incansavelmente, mais para atender às necessidades dos governantes do que para as suas próprias.

Até o que se sabe, a profissão e os papéis das pessoas nessa nova sociedade eram ditados por seus genes. Conforme as novas gerações chegavam, seus destinos foram estabelecidos e marcados com base no DNA. E, pessoas com alguma limitação, física ou congênita, eram condenadas à plataforma. Explicando melhor, subiam de volta a Terra para morrer. O mesmo fim era dado aos condenados pela justiça por qualquer crime cometido no Subterrâneo.

São vários as personagens dessa trama: Elena, mãe de Carol e Douglas, Andrea, mãe do Tom, Francis, Jacob, Alex, Thiago e mais alguns que vão surgindo no decorrer da trama. Por aqui consideramos Carol e Francis os mais turrões e Andrea uma vilã daquelas.

Outro ponto de atenção da obra, e é interessante como esse assunto vem permeando várias obras que lemos, é a questão da energia. Aqui, muitos estão sendo usados em experimentos para captação de energia. A trama explica que o ser humano produz energia em seu corpo diuturnamente em cada uma das células, e essa energia é usada em várias atividades do corpo humano. O desafio era como conseguir fazer com que essa energia fosse coletada e transformada em energia elétrica. Sem spoilers, outro ponto bem interessante da obra é quando ocorre o tribunal e a expressão “a Justiça é Cega” é colocada bem em prática. 

O livro é daqueles que você começa e não quer mais parar. Anne C. Beker se considera pragmática e essa característica vai para o livro, pois não fica usando páginas e páginas para descrever uma cena. É bem direta, com as informações essenciais para fazer a história acontecer.

Anne também contou para nós durante a Leitura Coletiva, que tem um pouco dela na personagem Elena, que é médica assim como a autora. Carol e Douglas, filhos de Elena, também têm um pouco das características dos filhos de Anne, que prefere usar em sua escrita elementos e assuntos que domina. Boas referências e bom gosto não faltam por aqui: Matrix, Keanu Reeves, Cyberpunk 2077, a saga Divergente, entre outros, são algumas das referências de Anne usadas nesta obra.

Alguns trechos separados da obra foram:

  • Um desculpe não vai funcionar sempre. Algumas coisas, uma vez quebradas, não consertam mais.
  • O que eu realmente quero, Carol, é que vocês aprendam a pensar e não apenas para obedecer ordens, independentemente de qual o papel que desempenham nessa sociedade.
  • O destino, às vezes, era injusto, mas era algo que não se podia controlar, então o melhor era aceitá-lo e adaptar-se a ele.
  • Quando um governo nasce, ao mesmo tempo aparece uma oposição. Historicamente é assim.

Sinopse: em um futuro não muito distante a Terra se tornou inóspita. Para salvar a raça humana foi necessário buscar alternativas e, a mais viável, foi o exílio no subterrâneo. Adaptações foram necessárias para a sobrevivência e muitas dificuldades perduram: como produzir energia para uma população que aumenta cada vez mais? Como conseguir comida? Como controlar o crescimento populacional? Decisões foram tomadas, mas não totalmente aceitas. A ordem inicial foi selar o futuro das pessoas, o que elas serão e farão no futuro, passa a ser estabelecido geneticamente, através do rateio de suas aptidões ao nascimento. Seu lugar e importância na sociedade, também dependerão disso. Como se lida com qualquer desvio da considerada normalidade ou como se pune as pessoas? Duas opções: prisão com trabalho forçado ou morte por uma plataforma que devolverá o sujeito à superfície mortífera da Terra. Inicialmente uma ordem, que pode ser questionada, mas parece justa, revela-se cheia de desvios, dúvidas, manipulações e busca pelo poder. Nesse cenário conhecemos Carolina, adolescente explosiva, intensa, transparente, impulsiva, cheia de ideias e questionamentos. Suas dúvidas começam em sua própria casa, pois a mãe se nega a revelar a paternidade dela e do irmão. Ela se revolta com o segredo que não interpreta sendo apenas da mãe, não aceita as regras impostas e não vai deixar nada nem ninguém lhe imponha barreiras. Seu irmão Douglas, por outro lado, é otimista, tímido e conformado. Ele ocupa um papel bem diferente do dela. Após um acidente, ambos terão que lidar com as dificuldades que se apresentarão e eles de diferentes maneiras. A forma como eles as enfrentarão e as escolhas que farão poderão marcar suas vidas e a dos que os cercam, incluindo decisões entre a vida e a morte. Conheça esse mundo subterrâneo, cheio de intrigas e revoltas, onde nem tudo é o que parece. 

“Subterrâneo Ascensão”, de Anne C. Beker, tem 322 páginas e está disponível no formato impresso e digital na Amazon (também no Kindle Unlimited). O livro já tem mais de 70 avaliações na plataforma e está na 42a posição entre ebooks sobre Ficção Científica para Jovens Adolescentes.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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