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Livro ensina como argumentar e descobrir sua própria voz

Quando falamos de negócios é importante entendermos que um dos principais requisitos para se tornar um bom líder é saber argumentar. Para se ter ideia, de acordo com um estudo realizado pela Gallup, empresa global de pesquisas, os líderes respondem por, pelo menos, 70% da variação nas pontuações de engajamento dos funcionários. Isso demonstra, ainda mais, a necessidade de saber conversar com as pessoas para se tornar um bom líder. Entretanto, sabemos que isso pode ser ainda mais difícil para mulheres em posições de liderança. Foi pensando nisso que a escritora, professora e comunicóloga Maytê Carvalho, lançou em maio deste ano, o livro “Ouse Argumentar: Comunicação assertiva para sua voz ser ouvida”. 

Para ela, argumentar e defender com clareza suas ideias é a chave do sucesso em qualquer campo. “Desde 2017 eu leciono Persuasão e Retórica, e também sou fellow researcher na Berkeley Global Society. Nas minhas aulas, percebi a necessidade de abordar o tema de uma forma pragmática, para além do eruditismo acadêmico. Na parede do escritório de um dos homens mais ricos do mundo, Warren Buffet, o único diploma que ele mantém pendurado é um certificado de vencedor de uma competição de debate e oratória. Isso diz muito. É com a força da nossa voz que conseguimos transmitir nossas ideias e convicções”, acredita Maytê. 

No prefácio do livro, o historiador e professor, Leandro Karnal, diz que Retórica e Democracia são termos gregos e nossa maneira de entender seus conteúdos, até hoje, passa pelo pensamento helênico. “Um cidadão clássico era um indivíduo pleno quando podia falar aos outros na Ágora. Então precisamos entender: Qual é a ágora da contemporaneidade? As redes sociais, reuniões corporativas e grupos de whatsapp. Ouse Argumentar é, justamente, uma obra sobre a arte de argumentar e de elaborar falas públicas. Ele contém técnicas práticas para isso”, completa. 

Para se ter ideia, o que acontece muitas vezes é que, de acordo com um estudo do jornal britânico Sunday Times, as pessoas têm mais medo de enfrentar uma plateia e falar em público do que de doenças e da morte. “O livro oferece frameworks e conteúdo didático para preparar o leitor para os desafios da argumentação na contemporaneidade. Ele busca responder algumas perguntas, como: Quais os recursos que você pode lançar mão para estruturar sua fala? Você precisa ter opinião clara e direta a respeito de tudo? Como defender uma ideia no ambiente corporativo de forma convincente? Como analisar os diversos estilos de pensamento e utilizá-los a seu favor? Como evitar o adversário abusivo ou, termo sofisticado, o argumento solipsista? Como escapar de discursos pessoais e debates polêmicos com negacionistas?”, exemplifica a escritora.

No livro, são apresentados alguns diferentes tipos de argumentadores e debatedores, como o Solipsista, que é aquele que justifica suas opiniões pautadas apenas na sua experiência de vida pessoal, sem considerar dados e fatos sociais; o Passivo-agressivo, que insinua uma ataque pessoal (falácia ad hominem) mas deixa em aberto o ataque; o Abusivo – aquele que intercala sedução com intimidação, estabelece ultimatos (ou isso ou aquilo); e o Polarizador, que desconsidera o espectro de possibilidades e busca respostas simplistas para problemas complexos. 

Além disso, a obra também apresenta a pirâmide do escritor e professor americano, Adam Grant. Nela, explica-se sobre a hierarquia dos estilos de pensamento. “A hierarquia segue a seguinte sequência: cientista, pensador crítico, do-contra, político e líder de seita. Podemos reconhecer pessoas públicas, chefes, parentes, amigos próximos e políticos nessa lista facilmente. Podemos nos reconhecer inclusive e mudar nossa abordagem de debater a partir daí”, entende Maytê.

Um dos questionamentos levantados no livro é: E quando nem todos nós somos dados ao poder da fala da mesma maneira? “Para alguns, ela é ensinada como símbolo de poder, conquista e domínio. Outros são ensinados a se calar tão logo aprendem a falar; são tidos como geniosos, insubordinados, difíceis – inclusive, e sobretudo, nós, mulheres. Para nós, abrir a boca – quiçá argumentar, defender ideias e ideais – é sempre um ato de rebeldia. De irreverência”, diz. 

A escritora acredita que de grandes líderes políticos a influenciadores digitais que mobilizam milhares de pessoas nas redes sociais, quem domina o poder da fala e exerce a capacidade retórica é capaz de definir o destino de sua vida e da comunidade em que está inserido. “Neste livro, eu convido as pessoas a cometer a ousadia de argumentar, usando a potência das palavras para conquistar o que deseja na sua vida pessoal e profissional. Em um mundo em que muitos se pautam nos achismos, ouse defender de forma lógica seu ponto de vista. Ouse questionar. Ouse debater. Ouse expressar sua visão de mundo, apropriando-se do poder das palavras em alto e bom som. Não seja mais silenciada: sua voz importa, e será ouvida”, conclui Maytê Carvalho.

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