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Eu Já Estive Em “Quando as Mulheres Governavam o Mundo”, de Maureen Quilligan

Em um trabalho de pesquisa impecável, Maureen Quilligan destaca em Quando as Mulheres Governavam o Mundo – Criança a Renascença da Europa a história de quatro mulheres governantes: Mary Tudor, Elizabeth I, Catarina de Médici e Mary da Escócia. Publicação da editora Vestígio.

O livro já começa causando, mencionando o tratado misógino do radical reformista religioso escocês John Knox – O primeiro toque da trombeta contra o monstruoso governo das mulheres. A autora diz ter escolhido focar nessas, as governantes mais conhecidas, porque a história delas exerceu a maior influência e por ter sido previamente contada a partir de um ponto de vista preconceituoso. Segundo a autora, a governança era algo que elas exerciam como irmãs, e que coletivamente, elas precisavam se juntar para proteger suas autoridades contra a investida patriarcal que as ameaçavam.

A obra tem trechos de cartas da época o que é impressionante se pensar que estamos falando de 1550. Também é ilustrado com imagens dos personagens mencionados e dos presentes e painéis. Aliás há um capítulo focado nos presentes algo muito importante entre as mulheres dessa época, porque além de mostrar a força dos laços entre elas, acabava sendo uma forma de passar recados. Também tem um capítulo mais focado nos painéis que eram gigantemente bordados e documentam a história.

Eu não sou crítica literária e esse é o segundo livro sobre história mundial que leio, então meus comentários daqui para frente são de uma pessoa leiga, que gosta de livros e que se impressionou demais com o que leu. Jamais imaginei que toda a carnificina que vemos em seriados seria algo tão real. Também me impressionou demais tanta briga e tantas mortes por conta da religião – católicos X protestantes. Também é muito complexo ser mulher há centenas de anos. Você é reprodutora, então o reinado só vai ter continuidade se você reproduzir, mas se não tiver um filho não vai ter muita utilidade. Ok, então vamos para o divórcio, mas ele praticamente é o seu marido te matar ou te prender para sempre. Para as que tem sorte e conseguem ter muitos filhos, a próxima preocupação é organizar os casamentos algumas vezes ainda na barriga, para que o reinado perpetue por longos anos.

Para mim, William Cecil é o vilão da história. Nostradamus é mencionado no livro, a lenda de Camelot, princesa Diana, e até Alexandre Dumas que retratou A Rainha Margot como ninfomaníaca devassa e incestuosa, mas que aqui, segundo relatos da autora, está longe disso. Também me chamou a atenção de como o nome Elizabeth é famoso entre os reinos. São muitas. Mas muitos mesmos eram os vestidos de Elizabeth I: dois mil vestidos, dois mil pares de luvas, oitocentas peças de joalheria. Até a chegada da Lei Sálica que proíbe mulheres de governar e dando fim a um livro que levou décadas para ficar pronto.

Vamos a poucos trechos do livro apenas para dar um gostinho:

– Homens travam guerras. Mulheres vencem-nas. Se eu fosse expulsa do meu reino de combinação, conseguiria viver em qualquer lugar da Cristandade.

– In my end is my beginning (Em meu fim está meu começo). Mostrando uma imagem de uma fênix erguendo-se de uma pira funerária.

– Em meu fim está meu começo, a morte dramaticamente trágica de Mary foi o começo de uma lenda de sacrifícios e sofrimentos que fascinaria as pessoas durante os próximos séculos.

Sinopse: Nesta revolucionária revisão da história, Maureen Quilligan, uma das maiores especialistas sobre o Renascimento, mostra como quatro poderosas mulheres redefiniram a cultura da monarquia europeia no glorioso século XVI – um período de crônica instabilidade, com instituições de tradicional autoridade sendo desafiadas e guerras religiosas que pareciam não ter fim. Houve também o testemunho do nascimento marcante de uma cultura pacifista, cultivada por um grupo de extraordinárias mulheres governantes – Mary Tudor, Elizabeth I, Catarina de Médici e Mary da Escócia –, cujas vidas estiveram interligadas não apenas por ascendentes comuns e casamentos, mas também por um reconhecimento mútuo de que, a partir de suas posições de destaque, elas precisavam se unir, enquanto mulheres, para combater forças que desejavam destruí-las e que ameaçavam a própria estrutura monárquica. Com uma crônica vibrante e uma criatividade artística, esta obra bem ilustrada oferece uma nova perspectiva sobre o século XVI e, acima de tudo, uma visão inédita de mulheres que, com grande engenhosidade política, semearam uma cultura da paz.

Maureen Quilliganis R. Florence Brinkley é uma eminente professora de Inglês da Duke University. Autora de livros sobre a literatura medieval e renascentista, ela também é coeditora da coleção inovadora de ensaios “Reescrevendo o Renascimento: Os discursos da diferença sexual nos primórdios da Europa Moderna”.

Quando as Mulheres Governavam o Mundo é dividido em introdução, Parte um – Os Tudors, Parte dois – Os Stuarts, Parte três – Os Médicis, Parte quatro – Os Habsburgos e Epilogo. Tem 304 páginas, foi publicado pela editora Vestígio e está à venda no site da editora, livrarias de todo o Brasil e nas plataformas de e-commerce.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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