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Eu Já Estive Em “A Rota da Seda Digital”, de Jonathan E. Hillman

Pois é! Você nunca mais vai olhar para as câmeras de segurança e /ou vigilância da mesma forma depois de ler A Rota da Seda Digital, escrito por Jonathan E. Hillman e publicado pela editora Vestígio. Repleto de dados, estudos e pesquisas, o livro é extremamente completo e atual, uma verdadeira aula sobre tecnologia, China e Estados Unidos.

Na própria introdução o autor nos conta que o livro nasceu num edifício na Broadway, em Nova York, prédio que abrigou a sede da American Telephone and Telegraph, mais conhecida como AT&T e palco de várias transmissões histórias. Logo no primeiro capítulo, o autor nos contempla com a analise: a democracia está em retirada, e o autoritarismo digital está em marcha.

Explicando mais sobre o título do livro, do espaço sideral ao fundo do oceano, todas essas conexões fazem parte da Rota da Seda Digital da China. Foi mencionada a primeira vez em 2015 como componente da Iniciativa Cinturão e Rota da China, que é a concepção de Xi Jinping para aproximar a China do centro de tudo, por meio de projetos de infraestrutura, acordos comerciais, laços entre pessoas e coordenação de políticas.

Isso porque Xi conclamou a China a seguir um modelo econômico de circulação dual, conceito que visa dar continuidade às exportações da China a mercados estrangeiros e ao mesmo tempo reduzir domesticamente sua dependência de tecnologia estrangeira.

A história da Nortel está entre as citadas no livro, o quando ela cresceu, foi importante e agora já não existe mais entre as grandes da tecnologia. A Huawei também marca uma forte presença no livro, onde o autor fala, inclusive, a competição acirrada entre vagas em grandes empresas de tecnologia, onde a propriedade intelectual é muito valorizada e funcionários ambiciosos veem oportunidade de ascenderem rapidamente passando de uma companhia para outra e traindo antigos empregadores compartilhando informações sigilosas.

Sim, fala-se muito sobre o 5G e a discussão de que é uma tecnologia para poucos, e aí que a China entra facilitando a chegada do 5G além das áreas urbanas e democratizando o acesso à tecnologia garantindo a conexão, inclusive com alguns exemplos que já estão acontecendo. Também aprendi sobre a Open RAN, uma rede aberta – ao virtualizar partes da rede que atualmente são servidas por hardware proprietário, a Open RAN permite que operadoras combinem vários componentes de redes de fornecedores diferentes, acabando assim com monopólios, talvez.

O livro inclusive cita que em 2020 autoridades dos Estados Unidos visitaram o Brasil e ofereceram financiar os provedores de telecomunicações brasileiros em compra de equipamentos que não fosse chinês. No mês seguinte à visita as quatro maiores companhias de telecomunicação do Brasil declinaram o convite para um encontro.

Aí chegamos ao capítulo focado na questão das câmeras de vigilância, onde a China tem um programa que se chama Olhos Aguçados, onde o autor diz ir além da distopia de George Orwell, 1984. O livro de Orwell é citado mais de uma vez, e em outra comparação o autor diz: do mesmo modo que há o Ministério do Amor da Oceania, que pratica a tortura, a China chama seus centros de detenção de campo de reeducação e seus prisioneiros de alunos. E aqui são muitas as empresas de tecnologia mencionadas: Intel, Sony, NVIDIA, que de alguma forma fizeram negócios com a Hikvision, gigante da vigilância da China.

Temos um capítulo sobre a internet e os holofotes vão para as Big Three – China Telecom, China Unicom e China Mobile e um capítulo sobre as novas Commanding Heights, que indica setores prioritários ou estratégicos da economia, como petróleo, ferrovias e aço. E qual é a nova Commanding Height? Os campos aeroespaciais e explica-se: se você controla o céu, controla as terras, os oceanos e o domínio eletromagnético, e assume a iniciativa estratégica. E acredite, a China já tem muitas iniciativas espaciais. Inclusive vende kits financiados, onde é possível comprar satélites e estações terrestres, testagem, treinamento e apoio às operações. E Camboja, República Democrática do Congo e Nicarágua já são clientes. E a eterna discussão sobre o que fazer com os dados, e que muitos dos dados hoje já passam pela China e, o que ela faz com esses dados…

E não se deixe enganar! Quem acompanha o mercado de tecnologia sabe que a Amy Webb é tida como um guru em suas previsões sobre o assunto e ela diz que em 2069 a China se assenta no centro de uma rede de mais de 150 países, todos dependentes de Pequim para comunicação, comércio e finanças e a China se antecipa aos EUA com um ataque guiado por Inteligência Artificial.

Vamos a alguns breve trechos do livro:

– O ciberespaço não está dentro das suas fronteiras. Não pensem que são capazes de construí-los, como se fosse um projeto de obra pública. Não são. Trata-se de um ato da natureza e ele cresce por meio de nossas ações coletivas.

– As autoridades chinesas vêm há tempos afirmando que países do terceiro escalão constroem coisas, os do segundo escalão projetam coisas e os do primeiro escalão definem padrões.

– A banda larga tornou-se a eletricidade do século XXI, declara Brad Smith, presidente da Microsoft e seu diretor jurídico.

Sinopse: Especialista na expansão global das infraestruturas da China, Jonathan E. Hillman fornece uma abordagem urgente da batalha para conectar e controlar as redes do futuro. Do fundo do oceano à órbita da Terra, a Rota da Seda Digital tem como objetivo ligar o mundo e reescrever a ordem global. Levando os leitores a uma viagem ao Estado de vigilância da China, passando pelas áreas rurais dos Estados Unidos e pelas megacidades da África, o autor revela como é o projeto digital em expansão da China no globo e explora as consequências econômicas e estratégicas de um futuro em que todos os roteadores levem a Pequim. Se a China se tornar o principal operador de internet no mundo, será capaz de colher um ganho comercial e estratégico incalculável, com poder para reformular os fluxos globais de dados, finanças e comunicações. Poderá reter uma compreensão incomparável dos movimentos de mercado, das deliberações dos concorrentes estrangeiros e das vidas de inúmeros indivíduos enredados nas redes chinesas. Na situação atual, o resto do mundo ainda tem uma escolha. Essa batalha exige que os países ocidentais assumam riscos audaciosos em um terreno político incerto. As redes criam grandes vencedores, e este é um embate que as democracias não se podem dar ao luxo de perder.

Jonathan E. Hillman dirige o Reconnecting Asia, projeto que é mantido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, renomado think tank norte-americano com sede em Washington (DC). Licenciado pela Harvard Kennedy School e pela Brown University, ganhou, em 2019, o Prêmio Financial Times/McKinsey & Company Bracken Bower, o qual visa encorajar novos escritores a abordar importantes desafios econômicos mundiais. Em 2020, lançou seu primeiro livro acerca do expansionismo chinês: The Emperor’s New Road: How China’s New Silk Road Is Remaking the World (Yale University Press).

A Rota da Seda Digital, de Jonathan E. Hillman, publicado pela editora Vestígio, é uma verdadeira aula sobre O Plano da China de Conectar o Mundo e Dominar o Futuro. Com 265 páginas, é dividido em sete capítulos: Guerras de Redes, Ctrl + C, Onde quer que haja gente, Quinhentos Bilhões de Olhos, Uma dobra na internet, Commanding Heights e Vencer as guerras de redes. No Youtube da editora é possível assistir um vídeo do autor falando sobre a obra. O livro está à venda nas livrarias de todo o Brasil, plataformas e e-commerce e no site da editora Vestígio.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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