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Eu Já Estive Em “Triste História do Fim do Mundo”, de Victor Hugo Felix

Quantos de nós já paramos para pensar que a única certeza de que temos nessa vida é a morte? Acredito que essa lembrança ficará bem recente para todos que lerem Triste História do Fim do Mundo, de Victor Hugo Felix. Uma família – a mãe e seus 12 filhos – surge em um cenário onde o mundo está acabando, todos estão morrendo, sem perspectivas de cura ou de alguém sobreviver. A única certeza que todos têm, certeza essa que cresce a cada capítulo, é que todos vão morrer, justamente porque estamos falando da triste história do fim do mundo.

É extremamente interessante ver como o autor apresenta cada um dos personagens da trama, suas peculiaridades, qualidades, defeitos, tudo num curto espaço de tempo – o suficiente para nos aproximarmos do personagem – até o momento da morte. Também é muito impressionante observar como cada um, acredito que como aqui em nossa vida, sente a morte de forma diferente: uns preferem se isolar, outros relembram tudo o que se passou ao longo da jornada, tem quem se preocupe com quem está ficando em vida, tem quem quer partir, tem quem reluta para ficar porque não chegou a hora. Eu, ao ler, algumas vezes me perguntei em que posição estaria quando chegasse o meu momento de partir, ir dessa para melhor, deixar a Terra, desencarnar, enfim, cada um dá à morte o nome que mais cabe em suas crenças.

Não há um critério para as mortes no livro, assim como eu acredito que não há critérios para a hora da morte aqui na Terra; quando chegou a nossa hora só nos resta partir. Durante a leitura, eu também acreditei que por um momento tudo ia mudar e ninguém ia mais morrer. Depois parei para pensar que esse pode ser um sentimento para todos que relutam com a chegada da morte, ou simplesmente para aqueles leitores que, como eu, acreditam que o final do livro pode ser feliz. Aqui não dá para saber se o final foi feliz porque o mundo acaba e não sabemos, pelo menos a meu ver não sabemos até morrer, o que acontece depois.

Um livro para você pensar, se sensibilizar, pensar sobre o luto, aprender a lidar com o luto, talvez, mas, mais do que isso, como já dito, lembrar que a morte faz parte da nossa vida.

Vamos a alguns trechos do livro:

– Até ali as mortes pareciam muito mais uma questão de sorte do que saúde. Não importava a idade e as condições sociais, não havia sobreviventes. Rico ou pobre, velho ou novo, são ou doente, todos caíram mortos e desapareceram.

– “Eu me sinto sufocada” era a frase que Karla mais dizia, e Nuria nem entendia o porquê. O que era sentir-se sufocada? Desde quando o amor sufocava?

– Porém, cada dia que passavam juntos era bonito e especial, o presente era prioridade, o futuro era consequência. E foi assim que viveram por mais cinco anos.

– Você não pode querer morrer, entendeu? Você tem que querer viver! Mas eu quero! Eu quero viver! Só que se eu morrer, tudo bem, você vai morrer também.

– Prometeu que não choraria mais enquanto estivesse viva. Enquanto estivesse viva.

– As vezes nós somos muito injustos uns com os outros. Acho que é por isso que fazemos velório. Para poder consertar essas coisas.

– Depois que Jamil e Jamal morressem, as estrelas continuariam a brilhar. Porque no final das contas as pessoas são o que há de mais insignificante no universo.

– E mesmo se o mundo não estivesse acabando, todos morreriam de qualquer jeito. Por que sempre tentaram tanto escapar desse destino?

Sinopse: a complexidade das mais diversas nuances que compõem a essência do ser humano representadas no dia a dia de uma família à espera da morte. Em Triste história do fim do mundo, Victor Hugo Felix nos convida a uma urgente reflexão sobre a nossa relação com a vida e a morte em um momento cada vez mais solitário do mundo. A cada página desta narrativa, encontramos os dramas e as cores da sociedade contemporânea distribuídos pelas histórias de personagens com perfis completamente distintos que, com as suas particularidades, constituem uma microssociedade que traduz com propriedade os dilemas e questões fundamentais dos nossos dias. Enquanto o fim se aproxima, ao longo de 13 capítulos, o autor nos conduz com maestria a uma viagem pelos sentimentos e pensamentos de cada personagem. Ao mesmo tempo em que assiste cada qual lidando com os fantasmas dos seus medos, sonhos, perdas, inseguranças e frustrações, o leitor inevitavelmente também passa a se questionar sobre o peso real das perdas que todos sofremos ao longo da vida e encara o fato de que, por sermos todos igualmente mortais, o que nos diferencia enquanto indivíduos são as escolhas que fazemos enquanto há vida para viver. Pela qualidade do texto e pela profundidade das reflexões que evoca, Triste história do fim do mundo é leitura obrigatória para expandir a compreensão sobre vida e morte.

Victor Hugo Felix encara a literatura como terapia. Em seus livros, aborda situações que viu e viveu, explorando as relações humanas, curando traumas do passado e buscando novos caminhos a seguir na vida. Victor é jornalista pós-graduado em gestão cultural, com passagem por diversas agências de comunicação e veículos de imprensa.

Triste História do Fim do Mundo, de Victor Hugo Félix, foi publicado pela editora Penalux. Lançado em janeiro de 2021, o livro tem 234 páginas e está disponível no formato digital na Amazon e faz parte do catálogo disponível aos assinantes do Kindle Unlimited. Formato impresso está à venda nas plataformas de e-commerce de todo o Brasil e no site da editora.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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