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Museu das Culturas Indígenas promove programação especial no fim de semana do Dia dos Povos Indígenas

O Museu das Culturas Indígenas (MCI) realiza, em 18 e 19 de abril, uma programação especial em celebração ao Dia dos Povos Indígenas. As atividades integram a campanha do Abril Indígena e convidam o público a participar de experiências que destacam saberes ancestrais, práticas culturais e reflexões sobre os modos de vida e as lutas contemporâneas dos povos originários. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

No sábado (18), a programação começa com uma edição especial de visitas mediadas à exposição Ygapó: Terra Firme, concebida por Denilson Baniwa. Conduzidas por mestres de saberes, as visitas propõem um percurso a partir da temática do sonho, aborda como orienta caminhos, alimenta a esperança e contribui para a construção de mundos. Durante o trajeto, também são discutidas questões como a defesa dos territórios e a continuidade dos modos de vida indígenas. A atividade acontece em dois horários, pela manhã (às 9h30) e à tarde (às 14h) — com interpretação em Libras na sessão da tarde.

A exposição oferece uma experiência sensorial ao convidar o público a caminhar descalço sobre folhas da Mata Atlântica e a percorrer um ambiente que evoca a relação entre território, memória e resistência. Elementos como o tronco de uma árvore derrubada na Aldeia do Jaraguá reforçam simbolicamente os impactos da ação humana e a luta pela terra.

Foto: Pedro Cardoso/Acervo MCI

Ainda no sábado, o programa de contação de histórias recebe Pedro Pankararé, que compartilha narrativas sobre a presença indígena em contextos urbanos, especialmente na região do Cabuçu, em Guarulhos (SP). A atividade, que acontece às 11h, destaca a realidade de comunidades multiétnicas formadas por diferentes povos e evidencia a resistência cultural e a luta pela permanência em seus territórios.

No domingo (19), data em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas, a programação segue com atividades conduzidas pelo grupo Yamititkwa Sato, do povo Fulni-ô. Pela manhã, às 10h, o público participa de uma oficina de feitio e customização de maracá, instrumento tradicional que carrega significados espirituais e simbólicos ligados aos elementos da natureza e à conexão com os ancestrais.

À tarde, às 15h, a programação continua com a vivência A Ancestralidade Vibra, na qual os participantes utilizam os maracás confeccionados para integrar cantos (cafurnas) e a dança ritual do Toré. Praticado por diversos povos indígenas do Nordeste, o Toré é um ritual de cura, união comunitária e afirmação cultural, que articula música, movimento e espiritualidade.

Encerrando o dia, o MCI recebe, às 16h30, o show de pré-lançamento Djotana, da artista Siba Puri. A apresentação antecipa faixas de seu álbum de estreia e propõe uma experiência imersiva que combina música, espiritualidade, tecnologia, dança e narrativa ancestral. Em cena, a artista articula ritmos tradicionais afroindígenas — como maracatu, coco e caboclinho — a sonoridades urbanas como reggae, dub e rap, em uma estética própria que denomina “Reggae Originário”.

Foto: Natie Paz

Com forte dimensão política e sensorial, o espetáculo celebra a ancestralidade Puri e tensiona questões como a invisibilidade dos povos originários, a presença indígena nos contextos urbanos e a continuidade de processos coloniais sobre saberes tradicionais. A obra de Siba Puri se configura como território de memória, denúncia e afirmação, conectando espiritualidade, identidade e experimentação sonora contemporânea.

Abril Indígena: visibilidade, diversidade e presença contemporânea

Criado a partir do Dia dos Povos Indígenas, instituído no Brasil em 1943, o Abril Indígena amplia o reconhecimento das culturas originárias ao longo de todo o mês, promove reflexões sobre direitos, territórios e a pluralidade dos povos indígenas no país.

Nesse contexto, o Museu das Culturas Indígenas é um espaço de escuta, troca e protagonismo indígena, ao promover encontros que aproximam o público de diferentes perspectivas sobre o passado, o presente e o futuro do Brasil.

Dados do IBGE, divulgados no Censo Demográfico 2022, evidenciam a dimensão dessa diversidade: o país reúne atualmente 391 povos indígenas, falantes de 295 línguas. O crescimento em relação a 2010 — quando foram registradas 305 etnias — reflete o fortalecimento das identidades indígenas e os avanços na forma de reconhecimento e registro dessas populações.

O levantamento também mostra a ampliação da presença indígena em quase todo o território nacional. O estado de São Paulo reúne 271 etnias, enquanto a São Paulo lidera entre as capitais, com representantes de 194 povos. Os dados reforçam o papel das grandes cidades como territórios de convivência, resistência e articulação entre diferentes culturas indígenas na contemporaneidade.

SERVIÇO

Visitas Mediadas | Edição Especial do Dia dos Povos Indígenas

Data e horário: 18/04/2026, sábado, das 09h30 às 11h e das 14h às 15h30

Contação de Histórias MCI | Do Nordeste ao Cabuçu – a luta pela preservação em Guarulhos, com Pedro Pankararé

Data e horário: 18/04/2026, sábado, das 11h às 12h

Oficina de Maracá | Feitio e Customização

Data e horário: 19/04/2026, domingo, das 10h às 13h

Dia dos Povos Indígenas | A Ancestralidade Vibra, com Grupo Yamititkwa Sato

Data e horário: 19/04/2026, domingo, das 15h às 16h

Dia dos Povos Indígenas | Show de Pré-lançamento: Djotana, com Siba Puri

Data e horário: 19/04/2026, domingo, das 16h30 às 17h30

Todas as atividades são gratuitas com retirada de ingresso no site: https://museudasculturasindigenas.org.br/

Museu das Culturas Indígenas  

Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água Branca – São Paulo/SP      

Telefone: (11) 3873-1541     

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