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Primeiro ‘romance lean’ do Brasil, livro explica como RH pode ajudar a promover cultura de confiança e ‘pessoas protagonistas’

Para equilibrar alta performance e segurança psicológica, os departamentos de Recursos Humanos (RH) precisam priorizar a gestão no local real de trabalho e capacitar líderes e equipes para identificar e resolver problemas de forma colaborativa, sem gerar culpas ou medos, posicionando as pessoas no centro da estratégia.

Essa é uma das principais mensagens de “Gente Lean: um romance empresarial sobre liderança, confiança e conexões humanas”, livro impresso que acaba de ser lançado pelo Lean Institute Brasil (LIB), organização sem fins lucrativos de São Paulo (SP) que há três décadas dissemina no país o sistema lean, modelo de gestão originário do método Toyota.

Escrito por Robson Gouveia, diretor do LIB e especialista há mais de 30 anos no desenvolvimento de pessoas, e Ricardo Oréfice, ombudsman do Itaú Unibanco, com mais de 25 anos de experiência em escuta ativa e ouvidoria corporativa, o livro é o primeiro romance empresarial brasileiro de ficção – gênero literário focado em histórias ficcionais em ambientes corporativos – baseado no sistema lean.

Trata-se de um modelo de gestão que, em resumo, busca desenvolver pessoas para que possam, em tudo o que fazem, eliminar desperdícios, melhorar processos, resolver problemas e aumentar a agregação de valor aos clientes.

Escuta ativa e reconstrução de vínculos 

O livro conta a história de Cristina, personagem fictícia que assume a diretoria de Recursos Humanos do Grupo Marquez, uma organização também ficcional marcada pela pressão por resultados, baixa cooperação interna e cultura de silêncio diante dos problemas.

Ao longo da narrativa, Cristina e o presidente da empresa conduzem uma jornada de transformação, na qual o desafio não é apenas rever processos, mas reconstruir vínculos entre as pessoas. A partir da escuta ativa, da aproximação com o trabalho real e de novas formas de diálogo, a companhia começa a criar um ambiente onde problemas deixam de ser escondidos e passam a ser tratados como oportunidades de aprendizado.

O livro mostra, então, como o RH pode ajudar essa transformação ao aproximar pessoas, liderança e operação, apoiando a identificação de barreiras culturais, tensões nas relações e comportamentos que muitas vezes não aparecem em indicadores tradicionais.

Para Gouveia, a obra ensina, na prática, como os profissionais de RH, sob a ótica do sistema lean, precisam se colocar, de fato, ao lado das pessoas, para ajudá-las a melhorar os processos.

“Esse livro busca preencher lacunas nos programas de RH. Apesar de sempre bem-intencionados, são por vezes operacionais e burocráticos. E mesmo quando tentam mudar a cultura interna, fazem isso de uma maneira distante das pessoas ou sob uma perspectiva lógica e linear, sem se aprofundar nas resistências humanas, nas inseguranças e nos ruídos de comunicação reais do trabalho”, enfatizou ele.

Conversas difíceis e psicologia comportamental

A obra destaca que uma cultura lean depende de práticas cotidianas que estimulam confiança. Isso envolve criar espaços para escuta ativa, fortalecer canais de conexão entre as pessoas, estimulando a colaboração e apoiando líderes na condução de conversas difíceis — momentos em que a maturidade da cultura organizacional é colocada à prova.

Além dos conceitos tradicionais da gestão lean, o livro também incorpora elementos da psicologia comportamental, explorando como vieses cognitivos, pensamento de grupo e busca por falsa unanimidade podem prejudicar decisões e limitar a capacidade das organizações em aprender.

A obra apresenta, então, práticas para ajudar equipes a enxergar esses padrões, criar melhores condições de diálogo e desenvolver uma tomada de decisão mais consciente, reduzindo julgamentos automáticos e ampliando a diversidade de opiniões.

O livro já recebeu menções comemorativas de altas lideranças de grandes empresas que tiveram contato exclusivo com a obra antes do lançamento oficial.

‘Coragem  e autenticidade’, destacam executivas

No prefácio, Solange Sobral, sócia e vice-presidente executiva da CI&T, explica que a jornada lean exige resiliência. “E, sobretudo, coragem que nasce de um lugar profundo, onde propósito e identidade se encontram. É por isso que esse livro é mais do que uma obra sobre gestão. É um convite, um espelho e uma oportunidade”, escreveu a executiva, que ressaltou o papel vivido pela personagem Cristina.

Segundo ela, a protagonista representa, na história, uma mulher que carrega a força da experiência, a coragem da vulnerabilidade e a convicção profunda de que a transformação real acontece quando colocamos o ser humano no centro.

“Cristina é ficção, mas sua coragem, conflitos, lágrimas, limites e escolhas são absolutamente reais. Estão nas empresas, nas lideranças… em nós”, resumiu a vice-presidente.

Para Lana Salles, diretora de Recursos Humanos da GL Events na América Latina, a obra mostra que o maior desafio das empresas não pode ser apenas atingir metas, mas fortalecer as relações humanas que sustentam os resultados.

“É despertar, em cada pessoa, o desejo genuíno de evoluir, ser autêntica e se sentir respeitada, mesmo nas diferenças”, avaliou.

Segundo ela, discutir profundamente “gente” nas empresas é sempre um bom começo. “É quando lembramos que, por trás de cargos e metas, somos todos humanos. E quem esquece disso perde o que tem de mais valioso: sua humanidade”, ressaltou.

Problemas, mas sem medo

Com 267 páginas amplamente ilustradas, o livro detalha em 10 capítulos um caminho para transformar o desenvolvimento tradicional de pessoas sob a ótica lean.

Entre os temas abordados estão cultura organizacional, escuta ativa, gerenciamento diário, segurança psicológica, comunicação interna, canais de confiança e novas formas de avaliação de desempenho.

Um dos conceitos centrais é que a confiança não nasce de discursos institucionais, mas de comportamentos repetidos diariamente. Ao criar espaços onde as pessoas possam apontar problemas sem medo, líderes estimulam aprendizado, colaboração e melhoria contínua.

De acordo com Oréfice, essa segurança psicológica depende da construção de hábitos coletivos de tolerância e transparência. “É preciso promover um ambiente, por exemplo, onde todos podem e devem levantar as mãos quando percebem problemas; e se sentem valorizados por isso”, destacou.

Gerenciamento só que diário

O livro também aborda como o Gerenciamento Diário (GD), um dos principais conceitos e práticas do sistema lean, pode se tornar um método estruturado para transformar reuniões tradicionais em espaços efetivos de alinhamento rápido, resolução de problemas e apoio mútuo.

Gouveia explica que, sob esse método, equipes analisam os problemas do dia, monitoram variáveis de controle e expõem falhas para tratá-las de forma imediata. Com isso, acredita o autor, executivos de RH terão um potente modelo para disseminar autonomia e responsabilidade compartilhada. “Isso mitiga a dependência de decisões centralizadas e estimulando o protagonismo de colaboradores operacionais”, explicou o executivo.

Outro ponto trabalhado na obra é que o erro, em estruturas tradicionais muitas vezes ocultado pelo medo de punição, pode ser ressignificado como oportunidade de aprendizado quando existe confiança. Nesse contexto, liderança envolve reconhecer limites, demonstrar vulnerabilidade e criar condições para conversas mais honestas e produtivas.

Para Tatyana Montenegro, diretora de Pessoas do Itaú Unibanco, que também teve acesso exclusivo à obra, ler “Gente Lean” é lembrar que cultura se constrói nas atitudes diárias. E que liderar é um ato de coerência entre o que se diz e o que se faz.

“É um livro sobre coragem de ouvir verdadeiramente, de reconhecer limites e liderar com empatia sem renunciar a resultados. Um convite para quem acredita que o sucesso nasce da qualidade das relações. E que cultura é, antes de tudo, um elemento estratégico”, disse a executiva.

Diferencial: pessoas

Para Oréfice, em um cenário de rápidas mudanças e avanços tecnológicos, a sensibilidade humana se torna o principal fator de sustentabilidade corporativa. “Cada vez mais, o diferencial competitivo das organizações será a capacidade de conhecer e lidar com pessoas, e gerar confiança”, afirmou o executivo.

Segundo ele, “Gente Lean” propõe uma reflexão: transformação cultural sustentável não acontece apenas quando empresas adotam novos métodos, mas quando criam relações capazes de sustentar conversas honestas, aprendizado coletivo e evolução contínua.

Serviço:

Título do ivro: “Gente Lean: um romance empresarial sobre liderança, confiança e conexões humanas”.

Autores: Robson Gouveia e Ricardo Oréfice.

Produção e lançamento: Lean Institute Brasil (LIB).

Ano: 2026.

Características e preço: livro impresso, 267 páginas, R$ 108,00.

Mais informações: https://www.leanshop.com.br/produto/180/Gente-Lean-Um-romance-empresarial-sobre-lideranca,-confianca-e-conexoes-humanas.aspx

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