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Eu Já Estive Em “Fodeu Geral – Um Livro sobre Esperança?”, de Mark Manson

Sim, gostei bastante do livro “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, primeiro livro do mesmo autor, e quis entender o que ele preparou nesta segunda obra.

“Fodeu Geral” é bem mais denso, bem mais cheio de dados e pesquisa (não que o primeiro não tivesse), mas ao meu ver, o primeiro foi mais divertido, mais “fácil” de ser lido.

Vamos aos méritos de Fodeu Geral, de Mark Manson: o autor deixa claro que é uma história sobre como tudo hoje está total e completamente fodido. Hoje, somos uma cultura que não precisa de paz ou prosperidade, nós já temos tudo isso. “Somos uma cultura que precisa de algo bem mais efêmero. Somos uma cultura que precisa de esperança”, enfatiza Manson logo no primeiro capítulo do livro, afinal de contas nunca tudo foi tão fácil de ser conquistado na nossa vida, mas precisamos muito aprender a dar valor a isso.

Assim como um peixe precisa de água, a nossa psique precisa de esperança para sobreviver. Mas, será que estamos buscando esperança no lugar certo? Estamos apenas acreditando naquilo que nos é conveniente? Naquilo que não precisamos gastar esforços?

Muita gente acredita que para ter esperança você tem que ter fé, e para ter fé busca amparo em uma religião. Por outro lado, muitas pessoas percebem essa busca por uma fé, e usam justamente da má fé para carregar consigo milhares em busca de um propósito sem sentido.

E, chegamos no ponto que vai permear por boa parte do livro: temos dois Cérebros, o Sensível e o Pensante. E, eles vão brigar entre eles a vida inteira. Sobre isso o autor entra nas Leis Emocionais de Newton e destaca que para cada ação há uma reação emocional oposta e de igual intensidade e que a nossa autoestima é igual à soma das nossas emoções ao longo do tempo.

Ainda sobre as leis emocionais de Newton, sua identidade vai permanecer como sua identidade até que uma nova experiencia se oponha a ela. É por isso que não existe mudança sem dor, crescimento sem desconforto; isso explica porque é impossível se tornar alguém novo em antes sofrer a perda da pessoa que você era.

Aí, lembrando um pouco o livro anterior, “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, onde aprendemos que os problemas vão existir enquanto estivermos vivos, cabe a nós escolhermos os problemas que queremos ter, em “Fodeu Geral” aprendemos que a dor humana também fará parte da nossa vida enquanto estivermos vivos. A cada dor que você eliminar, outra vai surgir. Ela pode melhorar, mudar de formato, ficar menos catastrófica, mas sempre vai estar lá. A dor faz parte de nós. A dor é a fonte de todo valor. Abre lacunas morais que, com o tempo, se tornam os nossos valores e as nossas crenças mais profundas.

E vamos lembrar mais uma vez que a busca por felicidade é um valor tóxico que há muito define a nossa cultura. Viver bem não significa evitar o sofrimento, significa sofrer pelas razões certas.

E para viver bem, muitas pessoas buscam pelas Distrações, uma forma de anestesiar a dor e não há nada de errado com elas. O problema é quando elas começam a dominar a nossa vida e tirar o controle das nossas mãos. É o Cérebro Sensível assumindo as rédeas e deixando o Cérebro Pensante de lado (falei que eles fariam parte de todo o livro).

Quando falamos nas distrações precisamos lembrar que consumir é uma delas, aí vem a bronca do autor: ter mais coisas não significa ser mais livre, e sim mais aprisionado pela ansiedade de ter escolhido ou não a melhor alternativa. E quanto mais variedade, pior. Quem se sente encurralado e travado pela dúvida pode ter toda a variedade do mundo, mas não é livre.

Bom, como o título do livro disse “um livro sobre esperança?”. Então pode se preparar que o resumo disso tudo é: não tenha esperança de que as coisas vão melhorar. Seja a versão melhor de você mesmo.

Vou compartilhar mais algumas passagens que achei interessante:

  • A internet dá as pessoas o que elas querem e isso pode ser muito mais perigoso do que parece;
  • Hoje em dia (não exatamente nesses dias de distanciamento social) as pessoas preferem ficar em casa e ver TV, navegar pela internet, jogar videogame, ao invés de se comprometerem em se encontrar com um grupo local, e essa situação vai piorar (acho que piorou);
  • Não se pode esperar que a liberdade extrema leve a outra coisa que não a mudança para a escravidão extrema;
  • Você nunca será feliz se continuar a procurar no que a felicidade consiste;
  • Problemas são inevitáveis. Uma vida boa portanto, é uma vida com bons problemas.

Janaína Leme, abril de 2020.

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