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Eu Já Estive Em “Curva do Rio”, de R.Colini

Nunca! A não aceitação da protagonista pelo tempo nunca é o que vai permear a busca dela durante toda a obra. Uma menina que nunca aceitou ter visto seu pai partir e vem para a cidade grande com a mãe na expectativa de encontrá-lo, mas também que nunca disse não a experimentar tudo o que a vida à pode oferecer e graças a isso ter muita história para contar.

Curva do Rio, de R.Colini, publicado pela editora Labrador, livro tem prefácio de Joaquim Maria Botelho, escritor, mestre em Literatura e Crítica Literária e é dividido em 41 capítulos e são capítulos cheios de sentimentos porque essa personagem vai crescer e viver intensamente. Sua juventude vai se deparar com a ditadura no Brasil e temas como aborto, AIDS, luto, maternidade serão abordados na obra de forma bem intensa, muitas das vezes parecendo que é o seu sentimento que está sendo escrito nas páginas lidas.

E como prova de que a personagem é bem intensa, ela mesmo diz: o que eu fiz foi porque eu queria. Não tinha medo de muita coisa, a não ser de perder o controle; sentia necessidade de estar alerta, de me preservar em minhas decisões. Vale destacar que há capítulos mais poéticos intercalando a narrativa, daqueles que o autor capricha nas referências, como se a personagem tivesse em seu momento de reflexão, e eles passam a ser mais constantes com o avançar da idade, onde realmente nos tornamos mais reflexivos.

Vamos a alguns breves trechos do livro:

– É cafona o que eu vou dizer, eu sei, é meloso. Mas é preciso respeitar o tempo e honrar nossa própria memória, por mais apagadas que se tornem as sensações perdidas.

– Eu digo para que sejam a favor da liberdade de opção, fundamental, mas que não alimentem a ilusão, porque algum tipo de dor fica: que não se enganem quanto a isso.

– Mas as barreiras que meus amigos desfaziam era nada, ou quase nada, porque tinham o conforto assegurado do lado de lá do entulho dos muros que eles julgavam derrubar. Eu não encontraria um só que soubesse o que significava não ter mais ninguém no mundo.

– Há dias que acordamos melhor, escondemos melhor, esquecemos um pouco mais, anuímos, perdoamos, imputamos exagero no que há pouco era certeza, no amor, na vida, nos sentimentos, da mesma forma como muitas vezes aplacamos o rancor da discussão na véspera através do sentimento de que podemos superar.

Sinopse: “Uma menina enfrenta a partida do pai e jamais se conformará com essa separação.
Enquanto sua mãe transforma a ausência do marido em tabu, durante anos ela tentará esclarecer os mistérios que envolvem o desaparecimento daquele homem.
Ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990 no Brasil, três gerações de mulheres precisarão conquistar seu espaço sem pedir licença. No entanto, nem mesmo as diferenças entre elas serão capazes de superar certos impasses da alma, diante dos quais a menina, agora mulher, ainda será surpreendida.

R. Colini ama os livros. Incitado a contar mais, disse que nasceu em Taguatinga, DF, e que migrou para São Paulo quando tinha onze anos. Estudou Filosofia, Ciências Sociais e Direito, mas cabulava muitas aulas para ir ao cinema e ler. Escalou as montanhas mais altas de dois continentes: Kilimanjaro e Elbrus. De office-boy a dono de startup, ralou um bocado para que pudesse, agora, se dedicar somente à literatura. Porque ama os livros.

Curva do Rio, de R.Colini, publicado pela editora Labrador, tem 260 páginas e está disponível no formato impresso e digital nas plataformas de e-commerce e nas livrarias de todo o Brasil. Classificado como ficção de gênero, literatura e ficção.

Janaína Leme

@eujaestiveem

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